A divulgação de grande colheita vem sempre acompanhada de dilemas antigos que afligem o produtor: problemas na logística e no armazenamento dos grãos.
Mato Grosso do Sul encaminha-se para consolidar mais uma safra recorde de soja no biênio 2017/2018, com 8,7 milhões de toneladas, superando o resultado do ciclo anterior, que já se classificava como supersafra.
Agronegócio é a principal fonte de dólares para o Brasil, sendo a mola propulsora da exportação, contribuindo para a economia em efeito cascata. É um sinal de que virão indicadores econômicos positivos ao longo do ano.
Porém, a divulgação de grande colheita vem sempre acompanhada de dilemas antigos que afligem o produtor: problemas na logística e no armazenamento dos grãos.
O setor se mobiliza para tentar liberar os armazéns, já que 20% deles ainda estocam grãos da safra passada. A capacidade de estoque do Estado cresceu 25% nos últimos anos, mas não consegue suprir, na mesma velocidade, o aumento da produção, que chegou a 30%. Além disso, são duas safras por ano, sendo necessária celeridade nas negociações e no transporte dos produtos.
Outro grande entrave é o da logística. De acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 65% da safra de soja é transportada por meio das rodovias.
A Região Centro-Oeste é a principal produtora, o que representa uma distância superior a 2 mil quilômetros até os portos do Sul e do Sudeste. Esta é a realidade da maioria dos deslocamentos, uma vez que 67% das exportações são feitas via os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). Infelizmente, parte da produção fica pelo caminho, decorrente das condições das estradas e do uso de frota inapropriada para o serviço, que não impede o vazamento no transporte a granel.
A CNT estima que R$ 3,8 bilhões são perdidos ao ano no escoamento dos grãos por via terrestre e, para resolver a situação, seria necessário investimento de R$ 195,2 bilhões.
Em Mato Grosso do Sul, há acordo fechado com o governo paraguaio, que liberou o tráfego de carretas entre as cidades de Pedro Juan Caballero e Concepción, para escoamento pelo porto daquele país. É alternativa caso Porto Murtinho supere a capacidade máxima. Viabilizam-se outras rotas além das estradas sul-mato-grossenses, já que muitas integram pesquisa do CNT que evidencia a precaridade das condições.
O Brasil é o segundo maior exportador de soja do mundo e o terceiro maior exportador de milho, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O peso do agronegócio na formação do Produto Interno Bruto (PIB) é de 60% do total, uma força econômica que já demostrou ser extremamente benéfica, mas que não pode ser a única fonte de desempenho.
É preciso, também, diversificar a economia interna para que isso se reflita nas negociações externas. Porém, justamente pela sua importância e pelos recorrentes resultados positivos, não se pode relegar a atividade à sorte. Investimentos no armazenamento e na logística, com melhorias em estradas e acessos alternativos aos portos, deveriam ser prioridade dos gestores públicos.