Perde-se nas noites dos tempos a origem do majestoso Carnaval corumbaense, porém, o que se sabe é que, na década de 1920, ele já existia e a animação popular na época era notável.
Entretanto, com a construção da Base Fluvial de Ladário, no início da década de 1930, tal evento foi fortalecido com a chegada dos marinheiros e fuzileiros navais oriundos do Rio de Janeiro, que foram lotados naquela unidade militar e que encontraram na Cidade Branca um ambiente favorável aos festejos momescos; o povo era cordial e amava o cardeal.
Além do mais, o clima quente e o Rio Paraguai, com seus bancos de areia formando verdadeiras praias, foram decisivos para sedimentar a maior festa popular do mundo.
O meio de comunicação utilizado naquela época era apenas o velho rádio, com suas imensas válvulas, sempre sintonizado com as emissoras cariocas, uma opção geral da população.
Ao que tudo indica, foi a partir desse hábito e da convivência com os marujos cariocas que o sotaque foi se mesclando e enraizando na coletividade, o que torna o modo de falar dos corumbaenses e ladarenses muito peculiar e agradável de se ouvir, pois é único e natural.
O povo corumbaense e ladarense adora o seu modo de falar; o intercâmbio entre Corumbá e Rio de Janeiro é histórico e foi sedimentando à medida que os anos se passavam.
No início, os blocos e cordões, além, é claro, dos chamados blocos dos sujos, sempre uma presença marcante nos carnavais de Corumbá e de Ladário, desde cedo, já demonstravam suas majestades e eram muito respeitados pelas famílias abastadas, que se sentiam orgulhosas em receber em suas residências essas entidades, ocasião em que eram servidos petiscos e bebidas à vontade.
Naqueles tempos, dois clubes sociais da cidade disputavam a hegemonia dos carnavais de salão: o Corumbaense Futebol Clube e o Riachuelo Futebol Clube.
Sempre seguindo os movimentos do Carnaval carioca e com o surgimento das escolas de samba, o Carnaval pantaneiro passou a ser mais festejado nas ruas e, por isso mesmo, ano a ano, a população passou a aplaudir um número maior de escolas, que se esmeravam em suas apresentações, culminando com o desaparecimento dos carnavais de salão.
Hoje, os desfiles, tanto das escolas de samba como dos cordões e blocos carnavalescos, atraem cada vez mais turistas para a Cidade Branca, que, para isso, sempre contou com os abnegados que se dedicam à manutenção dessas entidades, passando por gerações, de pais para filhos, motivando a tradição, a cultura e os hábitos que tanto fazem bem à cidade e a seu povo que ama o Carnaval.