As chuvas de janeiro ainda caiam copiosas com seus reflexos, alguns generosos, outros danosos, sobre as mais diferentes áreas da vida nacional. Além delas, um fato foi de extraordinária importância para o início da recuperação da confiança do brasileiro nas instituições do Judiciário: a manutenção e, ainda mais, a ampliação dos termos da condenação imposta pelo juiz Sergio Moro ao demiurgo do PT, sr. Luís Inácio Lula da Silva, pelo Tribunal Regional da Justiça Federal da 4° Região.
Aliás, sobre a honorável decisão daquela Corte, ao saudá-la efusivamente, há uma sensação por parte de expressiva parcela de brasileiros e brasileiras de que forças encarquilhadas nas escadas de cortes superiores poderão reverter parte da moralizante decisão de Porto Alegre, isso quanto à pena de reclusão do ex-presidente.
Não compartilho dessa opinião, pois não há razões jurídicas e muito menos respaldo da legítima consciência nacional.
Ainda vem de janeiro outro alerta que partiu de um excelente artigo escrito pelo empresário e economista Roberto Gianetti da Fonseca, publicado na página A2, edição de 28/1/18, no Estadão, sobre o título “2013 ainda não acabou”.
Além das profundas e inteligentes considerações levantadas pelo articulista, há um detalhe ao qual me somo em apoiar-lhe quanto ao compromisso de convocação de uma assembleia nacional constituinte exclusiva para o início de 2019.
Retiro um dos trechos da opinião abalizada do sr. Roberto Gianetti quando acentua que o sistema político brasileiro atual está moribundo e um novo está, com um grito lancinante, por ecoar; e mais: “a falência de um sistema político, como o de uma empresa, pressupõe a imediata mudança de sua administração. No caso do atual sistema político, significa imposição, pelas ruas, de um compromisso de convocação, no início de 2019, de uma assembleia constituinte independente”.
Gianetti no fim de seu evocativo artigo clama para que os principais candidatos à presidência da República, isso para os que se anunciam como tal, tenham a coragem cívica de “ouvir o clamor das ruas” e tomem o compromisso de fazer a transição do velho que aí está carcomido pelas bactérias da corrupção para um novo sistema que surja de um moderno texto constitucional, este oriundo de uma assembleia nacional constituinte, independente e exclusiva, convocada pelo presidente eleito.
Pelo que tenho presenciado, nenhum dos rotulados pretensos candidatos teve, pelo menos até agora, a ousadia cívica de levantar a bandeira regeneradora dos ideais democráticos da nação brasileira – a convocação de uma assembleia constituinte independente e exclusiva. Têm preferido o ramerrão das propostas voláteis que se enfumarão ao fim da campanha eleitoral.