A antiga rodoviária pode ser comparada aos muitos moradores de rua e usuários de droga que habitam seu entorno. Todos são invisíveis para a sociedade e para as autoridades.
Circular pela região do Bairro Amambaí onde está localizada a antiga rodoviária de Campo Grande é como visitar construções que já foram importantes no passado e que, atualmente, estão condenadas a sobreviver ao sabor - muitas vezes amargo - no tempo.
Ao transitar pela região deste prédio, tão importante na história da Capital, é possível viajar no tempo. Por lá, quase nada mudou. Algumas paredes e escadas parecem falar conosco, e o que elas dizem pode ser interpretado como algo que remete à melancolia de um passado glorioso, combinada com um pedido de socorro.
Uma das edificações mais imponentes das décadas de 1970 e 1980, muito bem frequentada, e que chegou a ter no período um status que hoje somente os shoppings centers têm; a antiga rodoviária, já ao final de sua vida útil, no fim dos anos 1990 e na primeira década deste século, passou a ser motivo de vergonha, em seus últimos dias de atividade.
Talvez por seu visual ultrapassado, ou mesmo pela pouca funcionalidade de suas plataformas devido ao crescimento populacional que Campo Grande teve no período.
Quando o atual terminal rodoviário foi inaugurado na década passada, a antiga rodoviária da Capital ficou no local em que muitos já a enxergavam: na sarjeta. E de lá não saiu desde então, apesar de várias promessas de políticos e comerciantes de resgatar o local.
As tentativas de levar vida nova para a estrutura - quase abandonada - foram muitas, mas todas malsucedidas, devido ao baixo poder financeiro dos que demonstraram esta boa vontade. Primeiramente, os proprietários de carros de lanche da Avenida Afonso Pena foram levados para lá.
Hoje, porém, só alguns poucos sobrevivem. Depois, artistas tentaram ocupar o local, oferecendo apresentações e artesanato. As ações deles, infelizmente, não ultrapassaram o limite do mesmo público que os prestigia em outros locais da cidade.
Atualmente, a antiga rodoviária de Campo Grande pode ser comparada aos muitos moradores de rua e usuários de droga que habitam seu entorno.
Todos são invisíveis para a sociedade e para as autoridades. É como se em um quadrilátero localizado entre as ruas Dom Aquino e Barão do Rio Branco, no Bairro Amambaí, existisse um grande buraco negro. Quem passa por ali, normalmente de carro, pouco se importa com o que há nas redondezas.
A Prefeitura de Campo Grande, que detém parcela de pouco mais de 10% das salas comerciais do centro comercial, pode tentar fazer algo em conjunto com os proprietários. Basta querer.
Seria importante encontrar um caminho para que o prédio fosse visto novamente. Atualmente, apesar de suas sólidas paredes de concreto, não passa de uma projeção de um passado glorioso, ocupada por excluídos.