Exército deu indicativos de que, se der certo no Rio de Janeiro, medidas de segurança poderão ser levadas para outros estados.
O general de exército Walter Souza Braga Netto, interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, anunciou que aquela unidade da Federação é um laboratório para o restante do País.
O recado não poderia ser mais claro aos outros estados brasileiros: se der certo no Rio, a presença das Forças Armadas será estendida. Não se trata de uma intervenção militar. Mas, sim, de uma ação direta e efetiva das Forças Armadas na segurança pública, hoje de responsabilidade dos estados.
Em seu discurso, o general tem falado sobre a importância de um serviço de inteligência centralizado e unificado, bandeira defendida por Mato Grosso do Sul há muitos anos. Na prática, quer dizer o seguinte: de nada adianta combater o tráfico de drogas nas favelas cariocas, se a porta de entrada de maconha e cocaína, que são as nossas fronteiras, continua escancarada.
Qualquer ação de combate à violência que tem como causa o tráfico de drogas no Rio de Janeiro ou outra região será como enxugar gelo, se não forem levadas em consideração as graves falhas na segurança das fronteiras. Basta tomar como exemplo a apreensão realizada no começo desta semana.
Na segunda-feira, uma ação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na apreensão de 3,5 mil munições de fuzil e seis toneladas de maconha. O destino? Rio de Janeiro.
A maioria esmagadora da droga e das armas apreendidas em Mato Grosso do Sul não é para abastecer o comércio ilícito daqui, tem como destino grandes centros, como Rio e São Paulo. Só que o ônus não só de investir em segurança, mas também de custear os presos desse tipo de crime, é todo nosso.
Pelo menos 40% da população carcerária de MS é oriunda de outros estados. São detentos ligados aos crimes de tráfico de drogas e armas, mas que são custeados exclusivamente por recursos nossos. Não há ajuda federal para manter esses presos.
Além disso, é preciso enfatizar que qualquer apreensão de drogas, no fim, é apenas um arranhão – se muito – no crime organizado, este, sim, gigante. Para cada carregamento apreendido, quantos não passam escondidos em caminhões, carretas, carros de passeio.
São muitos veículos para poucos policiais; impossível fiscalizar sem a ajuda de tecnologia de ponta. Essa tecla vem sendo batida pelo Correio do Estado há, pelo menos, quatro anos.
A situação dos scanners móveis do Estado é exemplo dessa deficiência. MS, por exemplo, tem dois desse tipo de equipamento caro que poderiam agilizar a fiscalização. Nenhum deles, porém, funciona.
Orçado em mais de R$ 1,5 milhão, o scanner que ajuda na checagem de drogas e armas foi encostado por falta de efetivo da Polícia Rodoviária Federal. Outro equipamento parado é o da Receita Federal, que tinha como alvo o contrabando em geral. Os traficantes agradecem a essa inoperância.
O governo federal precisa olhar para as fronteiras do País e investir na segurança aqui. É preciso compreender de uma vez por todas que a violência em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, é reflexo da ausência do Estado nas fronteiras.