Os macacos são animais que se assemelham a nós, e dependendo do referencial assumido, o inverso, seres humanos se parecem com eles.
Contrariando a teoria da evolução de Darwin, diríamos que alguns homens de fato descendem dos símios, não propriamente pelo físico, embora alguns marombados assumam a postura de gorilas, mas pelos trejeitos e comportamento, a arte de imitar e a de fazer “macaquice”, ou seja, aparecer naquilo que lhe convém.
Tudo isso porque descendemos de primatas, assim como os chipanzés, com 90% de genes iguais, tivemos um antepassado comum, onde duas linhagens se sucederam a dos símios e a dos humanoides.
Os macacos têm atualmente um lugar especial na vida do brasileiro, tornando-se principal alerta sobre a febre amarela, justo por ser vítima da escalada do progresso que invade seu habitat, sendo alvo da ignorância de primatas bípedes que os hostilizam e matam, achando que a espécie é transmissora do parasita, a exemplo do filme “12 Macacos”, uma ficção cujo tema é o extermínio dos humanos por vírus disseminado por um grupo de macacos levando a população sobrevivente a deixar o planeta.
Na verdade, o povo convive com seus macaquinhos na cabeça, expressão que se refere à desconfiança e aos receios infundados ou exagerados, que fazem parte do noticiário diário em busca de índices, divulgando um sensacionalismo.
Quanto às macaquices, elas fazem parte do cenário atual, em todos os campos e as atividades econômicas, nos diversos níveis governamentais, nos poderes constituídos da República.
A macaquice comportamental maior se deu na votação do impeachment, em que cada político teve a oportunidade de mostrar quem era, a que viera e para onde iria.
Já como imitação, o mesmo ocorreu na defesa do presidente por duas vezes, mas por macacos mais sabidos, que trocaram seus votos por emendas e fazem durar esse prazer ao apostar em uns trocados a mais na aprovação da reforma previdenciária.
Macacos povoam o imaginário popular, desde a propaganda antiga, “Venha cá Simão, cadê minha loção”, o chimpanzé Tião, o mais votado do mundo (Guiness), 3º lugar entre doze candidatos a prefeitura do Rio em 1988, até o bordão “O macaco tá certo”, do Evaristo (J. Soares), que repetia “Não me comprometa” e “Quem mandou votar no homem”.
A macaquice atual musical se deve à marchinha “Alô, Gilmar”, para marcar o Carnaval de 2018, difundida pela rede com base em noticiários que divulgam a contumácia na expedição de “habeas corpus”, estabelecendo que o processo se faça por meio de uma boa conversa.
Os tempos são outros, pois antigamente o sucesso carnavalesco se devia à letra “Macaco olha o seu rabo senão vai haver o diabo”, se referindo às pessoas que fazem críticas a outrem sem fazer uma autoanálise, o que pode “dar cana”.
São inúmeras as referências de gírias e provérbios: “macaco velho” que se refere à pessoa experiente; “Tá com a macaca”, pessoa irritada; “macaca de auditório”, para os de comportamento histriônico; “Vá pentear macaco”, aconselhamento para cuidar da própria vida, e assim vai permeando a cultura desde a astrologia à sabedoria.
A veneração ou simbolismo religioso à sabedoria, como diz a fábula japonesa dos “Três Macacos Sábios” (Sanbiki no San; não vê – mizaru; não ouve – kikazaru; não fala – iwazaru) que representam um ensinamento e uma reflexão, também são imagens aceitas por algumas culturas.
A modernidade já faz uma “charge” sobre o quarto macaco, que eu chamaria de keitaizaru, o macaco com celular.
Essas figuras simbólicas são frequentemente relembradas, e por que não dizer que, no último veredito noticiado, três sábios travestidos de promotores reproduziram decisões “convergentes” (?), cujos comentários populares e os noticiários pró-réu se referiram às atitudes representadas pelo conjunto, onde não se permitiu ouvir a defesa integralmente, e repetiram os textos da acusação, sem falar sobre a ausência de provas, não vendo a imparcialidade produzida pela acusação como um julgamento político.
Em termos, diariamente, formadores de opinião de renome destacam que acusar alguém com base em suposições, convicções, ilações, elucubrações, citações em jornais, noticiários, delações coercitivas e coerções premiadas, detenções temporariamente definitivas não passam de um espetáculo circense, porque não dizer festival de “macaquices”.