Recente conversa com um amigo que se autointitula esquerdista e crítico das elites me inspirou a voltar a refletir sobre a validade desses estereótipos em face do contexto internacional atual e, em especial, aqui do Brasil.
Apenas para contextualizar o(s) tema(s), faz-se necessário uma abordagem ainda que panorâmica e superficial sobre eles.
Sabe-se que historicamente os termos direita e esquerda surgiram por ocasião da Revolução Francesa (1789), isto é, no fim do século 18, quando os liberais girondinos e os extremistas jacobinos sentaram-se respectivamente à direita e à esquerda do salão da Assembleia Nacional.
Os filósofos Karl Marx e Friedrich Engels foram os principais teóricos da ideia esquerdista. Ao passo que a direita foi estruturada a partir das ideias do filósofo escocês Adam Smith.
A literatura nos mostra que o principal fundamento da esquerda é modificar a estrutura social e econômica da política para conseguir a igualdade social. Enquanto, para Adam Smith, é justamente a liberdade de mercado que faz com que as pessoas, ao buscarem naturalmente o melhor para si, produzam mais e melhor, o que beneficia todos.
A verdade é que as pesquisas espelham que as tentativas de pôr em prática a ideia original do esquerdismo na Rússia, em Cuba, na China, na Coreia do Norte e, atualmente, na Venezuela terminaram em regimes ditatoriais.
Na Venezuela, além da falta de liberdade, o regime vem provocando morte e desnutrição de crianças. Recentemente, foi constatado que em torno de 70% das crianças de até 5 anos estão desnutridas. Não por acaso a migração diária de centenas de venezuelanos para o Brasil. Isso significa que se está socializando a miséria em alto potencial.
Em Cuba, não obstante o progresso em determinados setores, a exemplo da medicina, a população sofre profundas dificuldades. Também em recente conversa com uma amiga que já esteve ligada à esquerda, ela foi enfática em afirmar que em Cuba, quando se encontra algo para comprar, é por preço exorbitante.
Segundo ela, nem absorvente feminino se encontra! O que tem sido amplamente divulgado pela imprensa e por diversas pessoas que visitaram a ilha.
Esse quadro, com efeito, quebrou o mito de alguns intelectuais de outrora de que a direita defenderia “os ricos” e a esquerda “os pobres”. É bem provável que seja dessa dicotomia que muitos que se intitulam “esquerdistas”, mas que não evoluíram, ainda insistem na ideia da separação entre “nós e eles”.
Com a dinâmica da história, sobretudo a partir da queda do Muro de Berlim, o conceito ideológico de esquerda tomou uma outra dimensão, o que, para alguns, deu origem a uma nova esquerda sem o ranço de sua origem e, consequentemente, com uma perspectiva pragmática.
O conceito ideológico de direita, ao longo da história, especialmente a partir das últimas décadas do século passado, também sofreu mutações em favor de um melhor equilíbrio social. É a partir dessa evolução que se tem afirmado que é “ingênuo dizer que uma ideologia está a serviço dos ‘pobres’ e a outra dos ‘ricos’”.
A ideia de “elite”, muito alimentada pela “esquerda”, surge a partir da desigualdade entre os homens. Tendo como marco o grau de superioridade dimensionado pela riqueza e pelo poder.
No diálogo acima, ouvi do meu interlocutor que parte da Justiça brasileira e do Ministério Público, especialmente a Operação Lava Jato, está a serviço das elites e inclusive dos interesses dos EUA!
O que se questiona a partir dessa afirmação, associado ao fato de que o conceito de elite é dimensionado pelo grau de riqueza e pelo poder, é à que elite está se referindo?
Aqui no Brasil, muitos dos que criticam as “elites” e se autorrotulam esquerdistas usufruem dos serviços de saúde dos melhores hospitais da rede particular, dos melhores advogados, residem em apartamento de 10 milhões de reais, com acesso ao mar por teleférico, etc.
Não seria uma total incoerência? Não estaria na hora de se refazer alguns conceitos e de se reinventar?
Enfim, são algumas reflexões!