A alta adesão ao cadastro biométrico, o consequente aumento do eleitorado da Capital e a demonstração da disposição do eleitor em votar devem ser profundamente analisados.
Em uma época em que o debate político eleitoral ultrapassou o período de campanha, impulsionado sobretudo pelo grande poder de abrangência das redes sociais, nas quais a discussão – a grande maioria sem regras, como em uma luta de vale-tudo – é constante, não é de espantar a grande adesão dos eleitores de Campo Grande ao cadastramento biométrico do título de eleitor.
Engana-se quem pensa que a maioria dos que estiveram no Fórum Eleitoral e no Memorial da Cultura da Capital para regularizar seus documentos está descrente da política. Apesar de o título de eleitor ser um documento requisitado aos que querem um emprego público ou tirar passaporte, pelas declarações colhidas por nossa equipe de reportagem nas longas filas, muitos querem mesmo é votar no mês de outubro.
Enquanto alguns falam em acabar com o voto obrigatório, nesse fim de semana, 17.790 pessoas passaram pelos guichês de atendimento do Tribunal Regional Eleitoral, número de eleitores muito superior ao da maioria das cidades de Mato Grosso do Sul.
Claro, estamos falando dos que deixaram para fornecer suas digitais à Justiça na última hora, perto do fim do prazo, mas, ainda assim, foi a vontade de participar do processo de escolha de nossos representantes que moveu muitos deles.
Como publicado na edição de ontem, durante o período de cadastramento biométrico, muitos também aproveitaram a oportunidade para transferir o domicílio eleitoral para Campo Grande, ou mesmo emitiram o documento para votar pela primeira vez, resultado disso foi o aumento do colégio eleitoral. De 595 mil votantes nas últimas eleições, em 2016, a quantidade chegará a pelo menos 630 mil no próximo pleito.
O cadastramento biométrico impôs uma nova realidade aos postulantes aos cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador do Estado e presidente da República (este um pouco menos, por causa da dimensão).
Agora, ao elaborarem suas estratégias de campanha, todos eles deverão considerar os 34 mil novos eleitores da Capital. O número, por exemplo, é suficiente para garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa e influencia em quase todas as outras disputas.
O cadastramento biométrico dos eleitores não pode ser visto pelas autoridades e pelos estrategistas de campanha como mais um procedimento administrativo.
A alta adesão ao chamado do TRE, o aumento do eleitorado e principalmente a demonstração de disposição do eleitor em votar nas próximas eleições são elementos que devem ser profundamente analisados pelas pessoas diretamente envolvidas no processo eleitoral, sejam elas autoridades constituídas ou não.