Artigos e Opinião

ARTIGO

Ruben Figueiró: "Um pouco de Estória II"

Ex-senador da República

Notícia sem imagem

Já afirmei em inúmeros artigos anteriores como o exercício das atividades político-partidárias no curso do passado era mais autêntico em termos de firmeza de princípios, exação de compromissos firmados ao que, lamentavelmente, se assiste na política atual e que resultam nessa hecatombe destruidora da construção democrática. A nova e benévola lei a gosto dos atuais ocupantes de mandatos legislativos, cujo prato feito foi-lhes apresentado a partir do dia sete de março, oferece ampla janela aos pretensos e atuais trânsfugas para que pulem de galho e se agasalhem nos poleiro de outras siglas na expectativa de reeleição ou de pretenso início de uma carreira já marcada na anca pela inconstância partidária.

Ao presenciar esse desolador quadro na política do momento, tenho um sentimento de frustração quanto ao futuro dos partidos políticos nacionais. Veem como normal o exercício de interesses escusos, inconfessáveis e muitas vezes revelados que fazem rubor ao padre ou pastor, confessores. 

Com esse olhar triste, volto para o passado, este já nas derradeiras fraldas do horizonte e nesga claridade, nada obstante bela insinuante pelo sol em seu acaso, para relembrar como era salutar a vivência político-partidária naqueles bons tempos, onde não havia cidadãos indefinidos – ou em cima do muro. No Império ou se era “luzia ou saquarema”; “liberal ou conservador”; na República velha, dependendo da região, “maragato ou chimango”, “perrengue ou urucubaca”; após o estado novo de Vargas, “udanada” se UDN, “papa defunto” PSD, “queremista” se PTB. Eram todos autênticos em suas posições, convicções, se não doutrinárias ou por fidelidade às opções tradicionais de família. Todos tinham norte e por ele se batiam com firmeza inabalável – até por uma questão de honra pessoal.

Lembro-me bem. Na campanha eleitoral de 1950 para escolha do novo prefeito de Campo Grande para substituir ao dr. Fernando Corrêa da Costa (eleito governador do Estado), dois eminentes cidadãos, ambos filiados à UDN, postaram-se como candidatos. A tendência recaía para o nome do dr. Wilson. Resultado, o dr. Ari, antecipando a convenção partidária, rompe com a legenda e, agasalhado pelo PTB, vence as eleições. Seu gesto constituiu, na ocasião, uma quebra de compromissos não só quanto à fidelidade partidária, como serviu de motivo para muitas especulações que agitaram os meios políticos da cidade morena e ácidos comentários pela alcoviteira “tia Candinha”.

Também naqueles primeiros tempos da segunda metade do século XX, outro escândalo agitou a política da então capital econômica de Mato Grosso – Campo Grande. Ele ocorreu com acirrada luta pela prevalência das cores partidárias que defendiam, isso no âmbito do jornalismo. De um lado, “o Mato-grossense”, baluarte das opiniões do PSD; na outra barranca democrática erguia-se “o Progressista”, pelas ideias da UDN, logo substituído a partir de 1954 pelo Correio do Estado. Quando a direção deste foi assumida pelo saudoso prof. José Barbosa Rodrigues, numa inteligente e acurada jogada jornalista trouxe para o jornal a pena vibrante, muitas vezes crotálica, o jornalista Julio da Silva, até então um dos mais cáusticos redatores do oponente, o Mato-grossense. Foi um êxito político para os udenistas, motivo de cavilações; choro em imprecações entre os pessimistas.

Esses dois fatos inscritos em nossa estória pela sua raridade à época demonstram como a política era tida como coisa séria, responsável, raros os deslizes. Infelizmente, o ambiente atual não é de ideias, de palavras seladas pela dignidade, mas por um verdadeiro mercado de Bagdá, em que válidas são a manutenção de status, manutenção e conquistas de cargos com sinais comprometedores ou que é lastimável, pela ação do vil metal. A regra vinculante é essa, raramente surgem exceções que justificam a mudança de uma legenda para outra.

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).