Em meio a uma das piores crises econômicas da história, Campo Grande perde a chance de acelerar o processo de recuperação por falta de um projeto revisado.
Enquanto boa parte dos municípios brasileiros luta para se reerguer depois de anos de grave crise econômica, que se arrasta até os dias de hoje, Campo Grande está desperdiçando uma chance e tanto de se recuperar.
A Capital, que perdeu centenas de empregos nos últimos anos em decorrência da recessão econômica, tem despertado o interesse de investidores em potencial.
São empresas de vários portes dispostas a investir, gerando emprego e renda, mas que aguardam a revisão do Plano Diretor do município, como mostra reportagem do Correio do Estado desta segunda-feira (26). Esse processo de revisão se arrasta por meses, tempo que, por sinal, é inconcebível no ramno empresarial.
Se o interesse não é recíproco e o empresário não recebe em troca a agilidade que o mercado exige, são grandes as chances de ele se mudar para outro lugar. Não há amor que sobreviva a dias de espera, que dirá meses, quando se fala em regras de mercado.
O Plano Diretor é essencial para o desenvolvimento urbano de uma cidade. Nele, há regras de urbanização e ocupação do solo. Deveria ser prioridade, e não deixar que a discussão em torno das mudanças necessárias para o crescimento ordenado de Campo Grande se arraste por tanto tempo.
Não se trata somente de novas empresas que, por enquanto, ainda estão dispostas a esperar pela aprovação para saber se poderão se instalar nas áreas desejadas. A Capital inteira para enquanto o projeto acumula poeira em gavetas da Câmara Municipal. São residenciais, novos loteamentos, reformas, etc.
O excesso de burocracia é um dos principais entraves do poder público. Mas também nota-se que, neste caso, faltou elencar prioridades. Enquanto o projeto fica parado, vemos vereadores discutindo assuntos que, sem dúvida, poderiam ser adiados ou, quando não, pensando mais em suas campanhas do que no município.
Em tese, o projeto de lei de revisão desse plano deveria ter sido aprovado até outubro de 2016, quando venceu o prazo de 10 anos previsto para a revisão. Houve questionamentos, foram necessárias alterações e o novo projeto de lei foi encaminhado ao legislativo municipal em novembro do ano passado e lá ficou.
O assunto é importante, deve ser tratado com zelo, mas dentro de um prazo aceitável. Uma capital como Campo Grande não pode ficar esperando por tanto tempo assim.
O desenvolvimento não espera e nós não estamos em condições de dispensar investimentos e novos projetos que podem movimentar a economia local por falta de agilidade. Campo Grande, embora tenha apresentado recuperação no primeiro bimestre deste ano, usando como termômetro a geração de empregos – nos dois primeiros meses do ano, foram gerados 1,2 mil postos de trabalho –, ainda está longe de voltar ao que era antes.
Nos anos de 2016 e 2017, foram extintos 8,3 mil postos de trabalho com carteira assinada. Com números como esses apresentados acima, qualquer medida que possa ajudar a reverter, ou pelo menos amenizar, esse quadro deve ter prioridade máxima.
Além disso, quanto mais longo o tempo para a aprovação do novo projeto, maiores são as chances de o Plano Diretor ser descumprido, aumentando ainda mais os problemas urbanísticos que a Capital já enfrenta.