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Gilberto Verardo: 'Monopólio faz mal à saúde'

Psicólogo

Redação

26/03/2018 - 01h00
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A Organização  Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente ausência de afeções e enfermidades”.

A divulgação da disponibilização de mais dez novas práticas integrativas e complementares para pacientes do SUS, com outras já oferecidas, na segunda feira (10) pelo Ministro da Saúde, provocou reações no Conselho Federal de Medicina, o qual argumenta que tais procedimentos não têm base científica comprovada. Verdade.

Também não têm base científica os constantes erros médicos registrados pela imprensa, certa negligência no atendimento, consultas de cinco minutos, monopólio de medicamentos alopáticos, um estranho – mas cheio de simbolismo – funcionamento de empresas funerárias ao redor de grandes hospitais, nos lembra Thomaz Kuhn do livro “A estrutura das Revoluções Científicas”, em que diz que uma crise se instala quando modelo e conceitos adotados por determinada práxis não conseguem mais resolver satisfatoriamente problemas novos e antigos.

Portanto, para superar a crise, é necessário reavaliar seriamente conceitos e procedimentos, sob pena de estar vendo o dinheiro de o contribuinte sustentar as estruturas de saúde do Estado, porém, sem resultados concretos, aumentando, ciclicamente, a insatisfação popular.

O modelo atual é o biomédico, que se fundamenta em uma classificação que aprofunda seus estudos e sua prática segmentando o corpo humano em sistemas, aparelhos, órgãos, até o genoma. Influências externas não são consideradas, bem como aspectos emocionais. A dualidade (separação) corpo e mente está presente.

O corpo humano, neste modelo, tem uma concepção mecanicista, inspirado no modelo cartesiano de René Descartes. É um modelo de corpo fragmentado, pois divide o corpo em especialidades. Esta especialização excessiva restringe o conhecimento e influências sobre a saúde humana segundo o conceito da OMS.

O resultado é a absolutização da verdade sobre a saúde humana nas mãos da medicina moderna, mas que não passa de um aspecto da existência humana: o biológico, o anatômico, a unidade especializada. As pessoas que procuram o SUS, principalmente, não querem mais ser apenas um diagnóstico, um nome em uma receita. Querem de volta sua humanidade perdida nas especializações médicas.

Há um bom tempo se fala em crise na saúde pública, mesmo contando com novas tecnologias que auxiliam uma maior precisão em diagnósticos e procedimentos.

Os resultados visíveis dessa longeva crise, além das constantes reclamações, encontram-se na continuidade de equívocos tanto de diagnóstico como de intervenções, provocando uma recorrência de sintomas, induzindo o paciente médico a uma mudança cíclica de especialidades, em uma tentativa de recompor uma saúde fragilizada buscando, a cada ida a uma unidade de saúde, respostas para seu sofrimento.

Muitas pessoas encontram nos programas televisivos das religiões pentecostais inúmeros depoimentos sobre melhora no quadro de saúde atribuído à fé. Isso pode não ter base científica, mas tem ajudado pessoas a criar uma alternativa para fugir da dependência e do monopólio sobre a saúde humana como querem médicos (não todos) e laboratórios (todos).

 Essas novas Práticas Integrativas e Complementares oferecidas pelo SUS, certamente, não pretendem ser uma prática invasiva ao que já está consolidado no atual modelo em saúde. No entanto, como o próprio nome sugere – integrativas e complementares, não deveria ter levantado a ira do Conselho Federal de Medicina. 

 O livro “Médico de Homens e de Alma”, de Taylor Caldwell, que vendeu milhões de exemplares em mais de 50 países, e o falecimento de Stephen William Hawking, físico e pesquisador britânico, aos 76 anos, na quarta-feira (14), nos leva a uma reflexão sensata – a moderna ciência médica precisa, urgentemente, recompor, nas suas práticas, a inseparável relação entre corpo e mente. medicina e psicologia devem voltar suas preocupações para a saúde da população trabalhando juntas, em métodos e conceitos, para a saúde frágil da população.

Mais uma vez, é bom lembrar que Hawking resistiu durante décadas ao desfecho do diagnóstico fatal de esclerose amiotrófica lateral (ELA) com amparo da sua mente incomum.

“Se eu encontrar algum outro capaz de ver as coisas na sua unidade e na sua multiplicidade, esse é o homem a quem procuro como um Deus” – Platão.

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