Desde o início do ano, o Correio do Estado tem alertado sobre a supercheia na região do Pantanal. Agora, é preciso saber se MS está preparado para lidar com os estragos.
As águas do Rio Paraguai já invadiram, parcial ou totalmente, 100 propriedades rurais na região do Baixo Pantanal, que registra supercheia com nível de 4,26 metros. A supercheia, que chegou antecipadamente, fez com que pecuaristas dessem início a uma corrida contra o tempo, para levar o gado para regiões mais altas, em uma operação que já causou prejuízo de cerca de R$ 5 milhões até o momento, como apontou laudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal.
Desde o início do ano, o Correio do Estado tem alertado sobre a antecipação da cheia do Pantanal e o risco de ela se tornar recorde dos últimos anos. Porém, foram poucas as medidas tomadas para amenizar a situação. Agora, a supercheia se confirmou e resta saber se o governo do Estado está preparado para lidar com os problemas que surgiram e os que surgirão depois das cheias.
Muitos pecuaristas ouviram o alerta e retiraram seu gado. Mas outros terão prejuízos e, consequentemente, a pecuária sul-mato-grossense também. Porém, quais medidas serão adotadas pelo Estado? Existe um plano de redução de danos em andamento?
Esses questionamentos são em decorrência da importância da região para a economia estadual. Corumbá concentra o segundo maior rebanho de todo o País, com cerca de dois milhões de cabeças de gado. Como remanejar tudo isso antes do prazo previsto é o desafio dos pecuaristas. A inundação, além de chegar antes do tempo, também já veio mais forte, atingindo áreas que, em outras ocasiões, permaneciam secas. O jeito é a remoção para áreas mais altas.
Só nessa movimentação, algumas reses já morrem no caminho. O prejuízo maior, porém, vem depois que as águas baixam, uma vez que o pasto ainda estará encharcado e terá de ser recuperado para a produção de gado novamente. O manejo do rebanho bovino no Pantanal é próprio. Além da logística, que prevê a retirada dos animais, ele ainda exige investimento na alimentação desse gado. É que, depois das cheias, a pastagem é afetada e perde nutrientes.
A estimativa, por exemplo, é de que se arraste por um ano. Para se ter uma ideia, a última cheia semelhante a essa ocorreu em meados da década de 1970, ou seja, o fenômeno com essa intensidade é desconhecido por parcela grande da população. É claro que as cheias ocorrem todos os anos, o que é sabido por todos. É uma das muitas características essenciais para a sobrevivência desse bioma. Por sinal, ruim para a pecuária, mas bom para toda a fauna e flora da planície.
A agropecuária sabia de todos esses riscos ao ingressar na região, reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. Mas, agora que já está lá, é preciso que medidas de prevenção sejam tomadas para que se antecipe a chegada dessas cheias o quanto antes, a fim de se reduzir ao máximo os impactos na vida das pessoas e também na economia, tanto local quanto de todo o Estado.
Além disso, é preciso se atentar aos sinais da natureza. Os pantaneiros, nascidos e criados, conhecem bem esses sinais e sabem que também podem ser reflexo da degradação ambiental. A supercheia pode ser o Pantanal alertando que ele também está no seu limite.