Tenho muito respeito e carinho por todas as formas de comemoração que objetivam celebrar o sentido concreto da Páscoa. Tive a felicidade de nascer em um lar que mantinha o hábito, com as condições que meus pais tinham, de comemorar o ritual que o cristianismo legou para nós, ocidentais.
Aprendi que a Páscoa é uma data muito especial, a mais importante do nosso calendário. Ela remete à ressurreição de Cristo, um acontecimento que mudou completamente o rumo da humanidade. Uma nova história passou a ser contada a partir do julgamento, morte e ressurreição do nosso Salvador.
Cultivo a ideia de que a Páscoa é uma data que deve ser lembrada com muita alegria, afinal, ela representa a vitória da vida sobre a morte.
No meu tempo de infância, era muito comum meus pais contarem histórias da Bíblia, ler as escrituras sagradas e mostrar para as crianças que devemos ser justos e fraternos com nossos semelhantes, porque, um dia, todos nós morreremos e seremos julgados por nossas decisões e fé.
A magia e a tradição que cercam a celebração da Páscoa continuam importantes, porém, nos nossos dias, a meu ver, demandamos reflexões mais profundas, porque a sociedade ficou mais complexa, mais individualizada e voltada para coisas materiais.
Assim, vejo com muito entusiasmo as iniciativas, objetivando debater, nesse período, temas atuais como: o combate a todas as formas de violência, a fome, as doenças, o analfabetismo, o desemprego, a falta de creche para as crianças e o roubo desenfreado da coisa pública.
Devemos lembrar que a fé é uma arma importante e que deve ser usada para encontrarmos caminhos novos e seguros para o povo de Deus.
Os primeiros cristãos tiveram imensas dificuldades para viver sua fé. Ousaram e venceram. Legaram ao mundo uma história repleta de sofrimento e de muita glória.
O sentido concreto da Páscoa, no tempo presente, incorpora os rituais históricos que devemos celebrar com toda nossa energia, inteligência e fé, mas, de igual maneira, indica que precisamos caminhar, ainda que com problemas e dificuldades, em direção à construção de um mundo mais plural, rico, solidário e ancorado na ideia de que a fé move montanhas e tem a capacidade de unir pessoas para trilharem o caminho da verdadeira redenção.