Artigos e Opinião

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Ruben figueiró: "Onde há verdade?"

Ruben figueiró é ex-senador da República

Izabela Jornada

02/04/2018 - 02h00
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Quando da queda do Estado Novo – regime discricionário implantado em nosso país através de um golpe de estado branco (sem derramamento de sangue, se propalou) pelo então presidente constitucional (pro forma) Getulio Dornelles Vargas, em novembro de 1937 – no inicio do ano de 1945 sob o influxo do clamor popular pelas liberdades democráticas alimentado pela vitória das Forças Aliadas sobre as do Eixo na Segunda Guerra Mundial, aqui no ainda no Estado de Mato Grosso despontaram-se como lideres naturais das duas mais importantes correntes políticas que se digladiavam pelo poder desde a implantação da República no século XIX. Uma das correntes firmou-se sob a legenda da União Democrática Nacional (UDN), de formação liberal e de alguns setores da esquerda democrática; na outra margem os que se agasalhavam no conservadorismo decorrente dos 15 anos que Vargas ocupou a presidência da República.

Quais foram as três personalidades? : pela UDN foi natural a liderança do dr Vespasiano Barbosa Martins, possuidor de uma extensão folha de serviços ao Estado como homem público e como médico; pelo PSD, o gal. Eurico Gaspar Dutra, que vinha de uma destacada atuação como ministro da Guerra de Vargas e lançado candidato a presidência da República as eleições que ocorreram em 2 de novembro de 1945; com a atuação marcante nas chamadas “bases” ergueu-se a figura do gal. Filinto Müller, o qual através de seu irmão Julio S. Müller que após 1937 como interventor do estado deu todo suporte político para que na capital da República Filinto exercesse a condição de homem forte em Mato Grosso no período do Estado Novo.

Era eu muito jovem, lá pelos 14 anos, porém latente em mim a veia política, fiquei atento ao que me dizia meu tio e padrinho Martinho Marques, ex parlamentar e entusiasta companheiro de Vespasiano Martins, sobre os valores dos homens públicos que militavam tanto no estado, como a nível nacional. Desde os primeiros embates eleitorais, eis nas pugnas de 1945, 1950, 1954 e 1962 em que Filinto Müller disputou ora para o senado da República, ora para o Governo do Estado, participei ativamente contra a sua postulação. Como universitário no Rio de Janeiro, tive o primeiro contato pessoal com Filinto, aliás ele era muito encimado pelos estudantes mato-grossenses naquela capital pela atenção e apoio que a muito deles dispensava, quase como um pai. Lá, Filinto em razão de sua atuação como Chefe de Policia durante o Estado Novo de Vargas, era motivo de rude combate pelos Diários Associados e da revista O Cruzeiro, esta pelos artigos peçonhentos que divulgava do jornalista (de conceito duvidoso), David Nascer. As acusações contra Filinto ganharam espaço em todo território nacional.

Sinceramente, tinha dúvidas sobre o passado do falecido senador, até que nas eleições parlamentares de 1970, em razão da aliança entre as duas principais forças partidárias e oriundas das extintas legendas UDN e PSD e eu candidato a deputado estadual apoiei a “dobradinha” para o Senado: Rachid Saldanha Derzi e Filinto Müller ao Senado da República, -vencedores. Daí passei a conhecer mais de perto a personalidade do senador Filinto Müller.

Neste mês (março) conclui a leitora de “O homem mais perigoso do País – Biografia de Filinto Müller” escrito por R. S. Rose, americano discípulo do famoso brasilianista John Foster Dulles. Pela leitura curiosa e desapaixonada do livro, do qual esperava mais da real vida do biografado, a minha conclusão é de que Filinto não foi o bicho papão que pintavam, foi sim um fiel amigo cumpridor de sua missão, ditada pelo ditador Vargas a quem serviu lealmente para levar a fama de carrasco.

Já ouvi várias personalidades, muitos de minha estima pessoal, que conviveram com o senador Filinto Müller, que o seguiram e o prezavam para enaltecer o seu espírito público, como ouvi outros tantos que a ele faziam restrições, algumas pesadas, o que me leva a perseguir onde esta a verdade sobre aquele intrépido mato-grossense que tem o seu nome registrado na história do Brasil.

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