O longo período sem investimentos em pavimentação custou caro. Agora, mais da metade das ruas asfaltadas de Campo Grande precisa de recapeamento.
Presente entre as principais reivindicações da população, a pavimentação asfáltica serve também de indicação para uma administração e, por aqui, o termômetro está bem próximo do limite, por sinal. O longo (e conturbado) período sem grandes investimentos em pavimentação custou caro nas administrações e, agora, mais da metade das ruas asfaltadas de Campo Grande precisa de recapeamento.
Obras de tapa-buracos, como admitido pelo próprio prefeito Marcos Trad, equivalem a um descuido com o dinheiro público, uma vez que, há muito, o prazo de validade de boa parte das ruas pavimentadas já venceu. Dos 2,8 mil quilômetros de ruas pavimentadas da Capital, mais de 60% precisa de recuperação, como mostra matéria desta terça-feira do Correio do Estado.
Esse porcentual é fácil de ser notado. Nem mesmo ruas e avenidas da área central estão a salvo da deterioração. A situação piora quando se vai para os bairros, que, quando têm vias pavimentadas, são quase intransitáveis, tamanha é a quantidade de buracos. Além do transtorno e do custo para motoristas, com alinhamentos, pneus etc, a grande quantidade de ruas esburacadas representa risco. Ao desviar de um buraco, o transeunte – ciclistas e motociclistas são os que mais sofrem com a situação – pode causar um acidente. O perigo também existe quando não se vê o buraco, o que pode acarretar acidentes graves.
A situação das ruas chegou a tal ponto que se tornou tema de audiência pública na Câmara Municipal, na manhã de ontem. Isso mostra que a população cansou de esperar. Com a crise econômica nacional e também os problemas deixados pela administração anterior, o primeiro ano de mandato do prefeito Marcos Trad encerrou-se praticamente sem investimentos. Apenas o serviço de tapa-buracos fora mantido enquanto a nova gestão colocava a casa em ordem. E até esse serviço emergencial foi posto em risco por decisão da Justiça, deste ano, de suspender processo licitatório. A sentença, por sorte, não afetou o pouco trabalho já realizado.
Um ano depois, não dá mais para colocar a culpa na administração anterior. É preciso de projetos viáveis para recuperar as ruas da cidade e para não deixar que a estatística de ruas não pavimentadas cresça ainda mais. Ao menos, a promessa já foi feita. A Prefeitura de Campo Grande anunciou, no mês passado, que pretende lançar, ainda neste ano, um pacotão de obras, estimado em R$ 500 milhões – recursos que serão levantados por meio de financiamentos e parcerias com governos estadual e federal.
Porém, se quiser colocar o projeto em prática, vai ter que correr contra o tempo. Este é um ano eleitoral, em que os brasileiros vão escolher seus novos representantes do Legislativo e do Executivo, o que pode travar a liberação de novos recursos. Por outro lado, é sabido que os investimentos tendem a crescer.
Enquanto prepara o projeto e corre atrás de linhas de crédito, a prefeitura ainda busca outra alternativa: a Parceria Público Privada (PPP). O projeto de lei que permite à prefeitura fechar parcerias com empresas privadas foi aprovado no fim do ano passado. A expectativa é de que, pelo menos, uma dessas duas alternativas dê certo. A população quer – e merece – uma cidade limpa e sem buracos.