Artigos e Opinião

Artigo

Renan da Cunha Soares Júnior: "Trânsito e cotidiano"

Coordenador do curso de Psicologia da UCDB

Izabela Jornada

10/04/2018 - 02h00
Notícia sem imagem

Todos os dias, nos deparamos com situações no trânsito que nos levam a crer que o respeito ao próximo e à vida humana tem ficado enfraquecido com o passar dos tempos. Vivemos, sem dúvida alguma, a era da motorização individual, comprovada pelos números da média de ocupação dos veículos e do crescimento da frota. A cada dia, temos um número maior de montadoras instaladas no País, oferecendo vários tipos de veículos e para todos os bolsos. Podemos, inclusive, comparar a massificação pela venda de veículos com o que já acontece com os telefones celulares e computadores, que trabalham pelo prisma de que cada cidadão precisa e deve ter o seu próprio item como condição de bem-estar.

A vivência diária, cada vez mais individualizada, com um estilo baseado no consumo, tem convertido uma boa parte de nós, brasileiros, em pessoas extremamente autocentradas. Mas e os reflexos desse modelo? O enfraquecimento de alguns valores está presente no cotidiano como um todo e pode ser apreciado também no trânsito nosso de cada dia, como no avanço infracional de uma rotatória ou semáforo. 

É alarmante a despreocupação com o bem do próximo, com a segurança da coletividade, especialmente no caso do trânsito. Mais do que a preocupação em encontrar culpados, devemos pensar no que cada um de nós tem feito para mudar esse quadro. Que tipos de comportamento temos? Quais valores e exemplos temos expressado em nossas relações? Os primeiros flagrantes de infrações, como falar ao celular e conduzir, dirigir depois de ter ingerido bebidas alcoólicas e praticar excesso de velocidade, muitas vezes, acontecem com crianças presenciando seus pais e pessoas próximas como infratores. 

Não queremos, aqui, crucificar ninguém, mas até quando vamos ficar somente reclamando? A reforma íntima que cada um de nós pode operar é o primeiro passo para um dia a dia mais humanizado e sensível. O respeito aos mais velhos, às diferenças e aos que estão em desvantagem em relação a nós deve estar sempre norteando nossa maneira de agir no trânsito e fora dele. Deixemos de lado a intolerância e façamos uso da paciência. Aquele que é consciente de seus direitos e deveres consegue trocar de lugar com o outro, procura ser mais gentil, e, no mundo da mobilidade, tudo é transitório, o agora poderoso condutor é também, em novo momento, o frágil pedestre e vice-versa. 

Se sozinhos somos força insuficiente para mudar o paradigma do trânsito como um todo, somos senhores para guiar nossas próprias ações com sabedoria, tolerância e humanidade. Afinal, o comportamento coletivo é o reflexo de pequenas ações de cada um de nós. Se fizermos nossa parte, que, por vezes, parece uma gota d’água frente a um oceano, poderemos deixar de ser a gota d’água que faz transbordar o vaso do individualismo, para ser a gota que enche um pouco mais o cálice da vida. 

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).