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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "A nova rota da cocaína"

Confira o editorial desta segunda-feira: "A nova rota da cocaína"

Izabela Jornada

16/04/2018 - 03h00
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Tradicional rota da maconha, Mato Grosso do Sul também tornou-se caminho para o transporte da cocaína, que tradicionalmente entrava no Brasil nas fronteiras dos estados amazônicos.

Destaque da edição de hoje, reportagem que demonstra o espantoso aumento das apreensões de cocaína nas rodovias de Mato Grosso do Sul neste ano, seis vezes mais do que no ano passado, deve ser analisada com atenção pelas autoridades de segurança pública. Nela, há um dado positivo: um volume expressivo de entorpecente tirado de circulação. Mas também há outra informação, ainda que implícita, que deve ser levada em consideração: a demanda pela droga, aparentemente, continua sendo suprida pelos traficantes. Sinal que, apesar do prejuízo imposto pela excelente atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os criminosos continuam agindo. 

Esaa constatação nos direciona a uma segunda indagação: o que deve ser feito para melhorar ainda mais o combate ao narcotráfico? A primeira resposta chama-se inteligência. E, quando falamos em inteligência, a palavra pode ter perfeitamente duplo sentido. Pode ter o significado literal, referente à inteligência policial, mas também pode ter um outro sentido, que diz respeito à capacidade das autoridades de elaborar estratégias para que a sociedade possa sair vitoriosa nesta guerra contra as drogas. 

No que diz respeito à inteligência policial, é possível perceber que as polícias têm melhorado na interceptação de carregamentos, mas pouco tem feito para a prisão de chefões do tráfico. A última grande prisão dos “cabeças” do crime em Mato Grosso do Sul ocorreu em junho de 2016, quando foi desencadeada a Operação Nevada, da Polícia Federal. De lá para cá, basicamente só transportadores da droga são presos.

Essa dificuldade do Estado brasileiro em colocar atrás das grades os chefões do tráfico denota a segunda falha de inteligência. A das autoridades. Seria perfeitamente possível encontrar maneiras de causar mais prejuízo aos grandes traficantes. As polícias brasileiras têm o aparato necessário para tal feito. Dispõem de bons sistemas de monitoramento, acordos de cooperação com polícias de países desenvolvidos e têm até mesmo aparelhos de alta tecnologia, como os scanners de automóveis e caminhões. Nesse último caso, só não os usam porque não querem. Também faltam mais policiais e a contratação deles está diretamente ligada à vontade política das autoridades.

Ficam aqui os aplausos à atuação dos agentes rodoviários federais. Estes mostram que, mesmo com um baixo efetivo, conseguiram sextuplicar as apreensões de cocaína neste ano e escancararam às autoridades uma realidade que deve ser urgentemente mudada: Mato Grosso do Sul, tradicional rota da maconha, agora também tornou-se caminho para a entrada do entorpecente que, costumeiramente, entrava em território brasileiro por Mato Grosso e pelos estados amazônicos. Parabéns aos policiais. Às autoridades superiores, fica a nossa cobrança por um melhor trabalho.
 

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