Em um mundo muito competitivo, em que o tempo é cada vez mais relativizado pela altíssima velocidade imposta pela inovação, parar de investir em pesquisa denota, no mínimo, a vontade consciente de ficar para trás. É o que tem ocorrido no Brasil nos últimos dois anos e, especialmente, foi constatado nas três principais universidades públicas do Estado: a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems).
Por mais que o Ministério da Educação e outros órgãos governamentais ligados a essa área aleguem necessidade de deixar de investir em pesquisa por causa do aperto nas contas públicas, tal corte deve ser tratado com preocupação. As autoridades estão utilizando o argumento da crise – que parece estar ficando para trás, a julgar pelos índices oficiais – para acabar com um dos instrumentos capazes de impulsionar o País e a sua economia a vencer essa recessão e trazer outros fatos positivos, como melhorar a qualidade de vida da população.
Em reportagem publicada nesta edição, é revelado que a UFMS reduziu em R$ 3 milhões o investimento em pesquisa e extensão. Não que os cortes não devam ocorrer. Eles são necessários em muitos casos, sobretudo, onde não há produtividade e ganho científico ou social comprovado. As universidades públicas estão repletas de projetos de extensão que têm efeito prático perto de zero. Mas zerar a verba – importante frisar – é impedir a possibilidade de inovar. É matar as chances de que ideias que podem ajudar a melhorar a vida de muitos saiam do papel.
Enquanto as universidades brasileiras deixam de investir, instituições de ensino e pesquisa de outros países não sossegam um minuto sequer. Diariamente, os veículos especializados e a imprensa tradicional trazem notícias sobre os avanços da ciência e da tecnologia. O exemplo da Coreia do Sul, país que em trinta anos saiu de uma tradição rural e tornou-se potência tecnológica, é o mais conhecido. Mas, mesmo entre os países emergentes, há outros exemplos, como o da Índia, nação que, apesar das dificuldades de distribuir melhor a renda para sua numerosa população, apresenta excelentes resultados em ciência e tecnologia.
No Brasil, estamos na contramão. Na década passada, tivemos o exemplo da Embrapa e de algumas universidades federais que exportaram tecnologia para melhorar a produtividade de nossos principais produtos, como carne e grãos. Mas também temos exemplos isolados como o da Embraer, a terceira maior fabricantes de aviões do mundo, de capital brasileiro, e que não teria a dimensão que tem se não estivesse sediada em São José dos Campos, mesma cidade que abriga o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), uma das melhores escolas do setor.
Por fim, é salutar destacar que conhecimento é luz. É a força que ofusca as trevas da ignorância e que impede que recuamos. Que o saber da população aumente, e que o mundo melhore. Para que isso ocorra, pesquisa é fundamental.