Sem nenhum tipo de fiscalização eletrônica, sobram excessos na Capital, cujo resultado aparece nas estatísticas de acidentes e também nas fichas de prontos-socorros.
As imagens do atropelamento na Avenida Ceará que tirou a vida de um jovem de apenas 21 anos, na madrugada de quinta-feira, chocaram, e com motivo. O sistema de segurança de uma conveniência flagrou o momento em que o veículo, em alta velocidade, atinge o rapaz e o arremessa a metros de distância. O motorista foi identificado, preso e teve fiança arbitrada em R$ 28,6 mil (30 salários mínimos). A punição do (ir)responsável é o mínimo que se espera em uma situação como essa. Mas cabe ao poder público evitar que mais Moisés sejam vítimas de um trânsito dominado pelos excessos.
Sem nenhum sistema de fiscalização eletrônica há mais de um ano, sobram abusos. Seja o excesso de velocidade, de consumo de bebidas alcoólicas antes ou enquanto se está na direção, seja, até mesmo, o abuso de mensagens de texto. Consequentemente, há o excesso de acidentes nas estatísticas dos órgãos de segurança e, o mais preocupante, de fichas de pacientes nos prontos-socorros. Conforme já mostrado pelo Correio do Estado, de janeiro até a semana passada, foram contabilizadas 28 mortes na cidade por acidentes de trânsito, o período é o mais violento desde 2014, quando foram 42 mortes. A situação caótica em que se transformou o trânsito da Capital ficou bem nítida no fim de semana. O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) puxou o freio de mão e deu início a blitze surpresas pela cidade. Os números chamaram atenção. Antes mesmo de encerrar o feriado prolongado, 677 motoristas foram multados por excesso de velocidade. Paralelamente, foram registrados 37 acidentes de trânsito no mesmo período, por sorte, nenhum com mortes.
Desde dezembro de 2016, quando se encerrou o contrato com a empresa Perkons S.A., a cidade está sem fiscalização eletrônica e essa situação deve se estender por um bom tempo. O processo licitatório que estava em andamento foi suspenso após pedidos de impugnação de empresas interessadas. Agora, será realizado pelo modelo de pregão presencial, mas sem data para ocorrer. A resposta para a ativação desse sistema de fiscalização precisa ser mais que um “só por Deus”. Falta elencar prioridades.
Estamos longe de ser uma sociedade em que as leis de trânsito são cumpridas pelo simples fato de existirem, infelizmente. O cinto de segurança é usado porque dá multa, e não pela proteção oferecida em casos de acidentes. A placa indicando o limite máximo de velocidade só tem efeito com um radar à frente. E é por isso que os equipamentos de fiscalização eletrônica se tornaram tão importantes para manter a ordem no tráfego das cidades. Eles agem para coibir pelo menos essa imprudência, a do excesso de velocidade. O objetivo é forçar o motorista a tirar o pé do acelerador para evitar que pedestres sejam colhidos por carros em alta velocidade. São medidas preventivas que só têm o efeito esperado quando doem no bolso.
Outros delitos no trânsito devem continuar sendo combatidos pelos órgãos de segurança. E não são poucos. De sexta até segunda-feira, foram 84 veículos irregulares apreendidos, 53 condutores sem habilitação e nove casos de embriaguez ao volante. Os números mostram que esse trabalho dos órgãos precisa continuar, mas não pode ser a única frente de combate aos abusos no trânsito.