É bom relembrar a fábula de Pinóquio. Um romance escrito pelo italiano Carlo Collodi, em Florença, no ano de 1881. O nariz de Pinóquio crescia toda vez que contava uma mentira.
Parece que a mentira nunca foi tão utilizada como nos dias atuais.
Esta frase pode ser exagerada. Quem nunca contou uma mentirinha para se safar de situação constrangedora que atire a primeira pedra. Mas é diferente na vida institucional, já que envolve coisas do bem comum. Portanto, a mentira pode ser tolerável para pessoas, não para instituições.
Nestes últimos anos, o jornalismo brasileiro foi o grande autor de outra história – A Lava Jato. Seu papel relevante: sentinela desvendando segredos. Seus personagens: investigados na Operação Lava Jato. Estes personagens institucionais representando cargos públicos lançaram mão do blefe, da ocultação e da mentira deslavada. Conclusão: não sabíamos o quanto uma mentira institucional pode acarretar prejuízos, não só financeiros, mas principalmente na boa-fé do povo brasileiro. Não fosse o papel das sentinelas da mídia, o prejuízo ao amadurecimento do nosso modelo democrático estaria corroído. Mas outra coisa foi importante ainda – a preservação da verdade como instrumento moral e também ético. A verdade como instrumento e valor moral é para garantir previsibilidade às ações humanas. Logo, onde a mentira e o blefe se proliferam, a imprevisibilidade se instala e o improviso toma conta. Neste caso, o uso da mentira foi para camuflar comportamentos muito censuráveis, já previstos nos infindáveis artigos e parágrafos da legislação brasileira. Assim, nosso cidadão deve muito ao jornalismo nacional. Grandes e pequenos conglomerados da imprensa ainda nos ajudaram a tomar consciência do paradoxo instalado entre a lei escrita e a lei praticada. A mesma legislação constitucional que teve o cuidado de preservar a presunção de inocência como parâmetro de civilidade é praticado para dar um empurrãozinho para a prescrição, além de nutrir, mesmo que inconscientemente (?), o uso da mentira e do blefe para se safar, pessoalmente, de comportamentos censuráveis cometidos no exercício institucional. O artigo 171 do código penal se tornou vago e parece não se aplicar ao estelionato cívico, ético e moral, já que a própria história da Lava Jato, desvendada em sua intimidade, nos ajudou a estabelecer o valor da honra dos pais da Lava Jato, revelando que mentir, na pós-modernidade, é um instrumento fácil para ganhar status que, para estes atores, só é possível com muito dinheiro, de preferência sujo.
Em tempos em que o essencial é invisível para os olhos, muitos nunca imaginaram que o jornalismo fosse os óculos necessários à miopia dos inocentes.
Se num passe de mágica, a fabula de Pinóquio se tornasse realidade, qual seria o tamanho do nariz desse pessoal investigado na Lava Jato?
Fake News faz mal à elegância.