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Alexandre Esper: 'A conscientização que deve vir do campo'

Vice-presidente de Compliance e Assuntos Corporativos do Walmart Brasil

Redação

07/05/2018 - 01h00
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A preocupação da sociedade com uma vida mais saudável, impulsionada pela busca por qualidade de vida das últimas gerações, pressiona a indústria agrícola e as grandes marcas a inspecionarem a fundo a origem dos alimentos que são vendidos no comércio varejista.

Diferentemente do que grande parte da população imagina, essa fiscalização não envolve apenas a detecção de agrotóxicos não autorizados ou acima do limite máximo permitido nos produtos, mas também a identificação de verduras, frutas e legumes contaminados com organismos microbiológicos, que podem provocar doenças graves se ingeridos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), por ano, 582 milhões de pessoas são diagnosticadas com alguma intoxicação alimentar, sendo 40% dos casos em crianças menores de cinco anos.

Os números da agência também mostram que mais de 350 mil indivíduos morrem por ano em consequência destas ocorrências, provocadas por microrganismos ou substâncias químicas inseridas na comida.

Além de costumes alimentares indevidos, isso acontece em razão de uma série de fatores contrárias às boas práticas de manejo no campo, como utilização de adubo inadequado na plantação, armazenamento incorreto da colheita, água imprópria para irrigação, presença de animais nas lavouras, aplicação irresponsável de defensivos agrícolas, entre outros problemas.

Atualmente, existem alguns programas de entidades que fazem o papel de supervisionar a procedência dos hortifrutis junto às redes de varejo alimentício, como a Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Anvisa, e o Rastreamento e Monitoramento de Alimentos (Rama), da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), realizado em parceria com pequenos e grandes varejistas.

Além dessas iniciativas, algumas redes contam com monitoramentos próprios, como o Walmart Brasil, por exemplo, que desenvolve desde 2014 o programa “3P”, baseado nos pilares de Auditoria, Análise e Rastreabilidade.

O controle exige que todos os fornecedores de hortifruti da empresa utilizem os agrotóxicos corretos e na medida certa, respeitando o período de carência, e se atentem aos perigos físicos e microbiológicos.

Chamo a atenção para o tema a fim de alertar sobre a tendência da busca pelo saudável ir além dos hábitos alimentares, pois a escolha por hortifrutis orgânicos ou cultivados à base de defensivos agrícolas se torna indiferente se o manejo na lavoura for inapropriado.

Essa responsabilidade é exclusiva dos produtores, que devem buscar o aprendizado com profissionais capacitados, somado ao apoio investido pelo setor varejista nesta qualificação, para seguirem a conduta adequada no manuseio de culturas no campo.

Neste contexto, entendo que o maior problema é a negligência na utilização indiscriminada de agrotóxicos, que faz o Brasil consumir 1/5 de toda a produção de químicos no mundo, cerca de 20% do comércio global, motivado pelo imenso volume de exportação de alimentos.

A sua aplicação deve ser realizada de forma sustentável, pois assim são indispensáveis para atender a uma demanda de consumo que cresce exponencialmente à medida que a população mundial aumenta na mesma proporção, servindo para impulsionar a escala de produtividade ao combater de forma efetiva pragas e ervas daninhas que prejudicam o plantio.

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