Tive a oportunidade de representar o Brasil em missão oficial à Coreia do Norte em companhia do senador Fernando Collor de Melo, entre os dias 24 de abril e 4 de maio, para participar da Cimeira da Coreia, evento bilateral que reuniu os dois principais líderes das Coreias do Norte e do Sul, com o objetivo de discutir a desnuclearização da Península Coreana.
A Coreia do Norte e a Coreia do Sul vivenciam uma trégua muito frágil, desde o ano de 1953, quando se estabeleceu um armistício na guerra que iniciaram em 1950, como decorrência dos interesses geopolíticos que surgiram com a chamada Guerra Fria, liderada, de um lado, pelos Estados Unidos da América, e do outro pela então União Soviética.
Face a fragilidade do pacto de paz assinado em 1953, cresceu, infelizmente, a ideia equivocada de que os dois lados precisavam se armar, inclusive com artefatos nucleares, porque, a qualquer momento, a guerra poderia voltar.
O resultado dessa tensão – desnecessária, porque o mundo precisa de paz – foi a nuclearização da Península Coreana. Aquela parte do planeta se tornou um lugar instável.
A nossa missão, entre outras atividades, objetivou levar aos líderes das duas Coreias uma mensagem de paz e de harmonia, iniciativa bem ao estilo da nossa diplomacia e da cultura pacífica do nosso povo. Também fomos defender interesses comerciais, culturais e diplomáticos junto às duas Coreias. É bom lembrar que o Brasil é o único país latino-americano que tem embaixadas nas duas Coreias.
Fomos muito bem recebidos na Coreia do Norte, notadamente na bela cidade de Pyongyang, onde ficamos hospedados. Tivemos a honra de sermos recebidos pelo vice-presidente da Assembleia Suprema, Kim Tong So, vice-chefe de Estado.
No dia 27 de abril, conforme programação oficial, tivemos a felicidade de participar de um fato histórico muito importante para a humanidade, o encontro entre os líderes Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e Moon Jae-in, da Coreia do Sul.
Como humanista e amante da paz, fiquei muito emocionado no momento em que os dois líderes se cumprimentaram, cruzaram as fronteiras e indicaram para o mundo que, naquele momento, estavam construindo um caminho novo e seguro em direção à desnuclearização da Península Coreana.
As falas oficiais dos dois líderes apontaram para uma chance real de paz e harmonia para a região. Uma paz que permita às Coreias se integrarem no campo econômico, social e cultural.
A nossa estada na Coreia do Norte foi cheia de atividades políticas e culturais. Houve uma integração perfeita entre a nossa delegação e os anfitriões coreanos. Na volta ao nosso País, por conta de conexão na China, tivemos reunião com a embaixada brasileira em Pequim, onde fizemos uma breve exposição sobre a missão que cumprimos na Coreia do Norte como parte das atividades da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
Meu desejo é que o Brasil continue participando dos esforços mundiais, para garantir a paz e o fim dos artefatos nucleares em todos os lugares. Os homens e as mulheres, como afirmou o genial Caetano Veloso, foram feitos para brilhar e não para serem abatidos como animais. Paz, harmonia e vida longa aos povos da Península Coreana.