No atual momento histórico em que redes de ensino municipais e/ou estaduais se debruçarão na (re)elaboração de seus documentos curriculares, faz-se necessário discutir sobre os conhecimentos a serem selecionados para a formação dos alunos da educação básica. Tais conhecimentos, ensinados nas escolas, têm como objetivo oportunizar condições de compreender o mundo de forma inovadora. Isso posto, ao elaborar um currículo, é indispensável pensar quais conhecimentos devem ser inseridos, de forma que os alunos aprendam o que não é propiciado por meio de suas vivências cotidianas.
A par dessa premissa, e com apoio na teoria crítica do currículo, é preciso ter como foco de análise as relações entre ideologia, cultura e poder, que questionam a organização curricular, por entender-se que ela não é neutra, uma vez que estará sempre a serviço de quem tem o poder na sociedade, seja ele econômico, político ou social.
Em vez de discutir sobre questões técnicas do currículo, como por exemplo, procedimentos e métodos, busca-se compreender como e por quem são escolhidos os saberes que o constituem.
A teoria crítica do currículo questiona os motivos pelos quais alguns conhecimentos são selecionados e outros não. Importa destacar que os conhecimentos eleitos evidenciam as concepções de educação adotadas, sustentando a visão social de mundo de uma determinada classe social, que legitima seu conhecimento em detrimento do de outra.
Sendo assim, quando identificamos a concepção de educação, assim como quais conhecimentos foram selecionados para fazer parte de um currículo, além de analisar a forma como foram distribuídos em documentos/propostas/referenciais curriculares, é possível identificar que tipo de formação é oferecido aos alunos.
Por fim, ressaltamos a importante contribuição da teoria crítica para a análise dos currículos, não somente aos que o elaboram, mas também para os que o colocam em prática nas escolas, oportunizando uma nova compreensão sobre a importância da seleção dos conhecimentos em qualquer área do saber e, acima de tudo, acerca do que há por trás da escolha de cada conhecimento.