Chegamos ao fim da linha. A inexistência de ferrovias nos trouxe agora piramidal prejuízo econômico e, sobretudo, moral. Caímos de joelho aos pés de meia dúzia de pessoas dominadoras, que nos impõem à força suas justas exigências. Segundo a imprensa, o presidente Michel Temer não foi pego de surpresa, pois os grevistas remeteram previamente a ele suas reivindicações, todavia, Temer, sem nenhum tato político-administrativo, engavetou a proposta levada a ele há mais de três meses antes da greve, ignorando poderosos sindicatos e associações de classe do transporte rodoviário, o que culminou com a brusca paralisação de milhares de carretas, bloqueando as principais rodovias do País. A imobilização total das carretas provoca, de uma hora para outra, trágica derrubada da já combalida economia nacional, a qual se deturpa drasticamente em consequência dessa surpreendente greve geral dos caminhoneiros, que ainda está longe de solução por parte de vários comandos de greve, apesar do pronto atendimento de suas reivindicações pelo governo. Embora a reiterada falácia do governo, preocupa que ainda quedam bloqueadas rodovias estratégicas em poder do comando da greve.
Vamos sentir no bolso o peso da inércia de um governo fraco, perdido no emaranhado da Administração Pública, e que demonstra estar por demais assustado com os acontecimentos, sem, contudo, estabelecer pessoalmente com os grevistas diálogo mais produtivo, como faria um habilidoso mandatário, acalmando-os, ou alertando-os sobre os danos que causam ao Brasil e a eles próprios, a cada minuto parados nas estradas. Temer simplesmente mandou seu porta-voz Carlos Marun fazer suas vezes perante os grevistas, mas o nosso eterno gaúcho parece que, desta vez, se enrolou na sua nobre missão pacificadora. O resultado nos apavora a todo momento que passa, com a continuidade de um ato isolado perpetrado por um grupo de caminhoneiros, que insiste em continuar na greve por tempo indeterminado.
Então é urgente – urgentíssimo – um providencial projeto de reimplantação das ferrovias no Brasil, porque tamanha ameaça ao nosso País não teria acontecido com a concorrência leal do trem, que transportava cargas volumosas para todos os pontos do Brasil, mormente combustível, como ocorria antigamente. A concorrência de transporte protegia o pacífico itinerário das cargas transportadas tanto pelas ferrovias como pelas rodovias, as quais não corriam o risco de ficarem paradas pelas estradas sofrendo ameaças de deterioração e redução da qualidade, pois não havia a supremacia absoluta de uma classe de trabalhadores. Neste caso, o povo brasileiro jamais quedaria refém de grevistas de determinada categoria obreira, como acontece atualmente.
Segundo noticiado tempos atrás, várias empresas estrangeiras manifestaram interesse de construir ferrovias no Brasil, notadamente alemãs e francesas. É o momento oportuno para o governo brasileiro agir imediatamente na elaboração de parceria com essas empresas, pois aqui mesmo, no Brasil, temos ótimos exemplos de perfeição no transporte sobre trilhos, como por exemplo o metrô de São Paulo, construído por empresas francesas, o qual oferece aos paulistanos excelente e seguro transporte coletivo, conduzindo diariamente em torno de dois milhões e quinhentos mil passageiros, em pouco mais de uma centena de quilômetros dentro da grande São Paulo, ao preço da passagem compatível ao do ônibus urbano.
O trem é uma necessidade premente em qualquer país. Segundo informações, Bauru é a única cidade brasileira em que não falta combustível nos postos, meramente porque é servida por trem, não havendo, dessa forma, o sufoco inclemente para seus moradores, pelo qual está passando milhões de cidadãos brasileiros. Milhares de pessoas de outras cidades correram para a bela e aprazível Bauru à procura de combustível, o que provocou um verdadeiro pandemônio na cidade, mas todos foram servidos pelo precioso combustível, graças à eficiência do trem. Ferrovias já!