Enquanto o governo fecha os olhos para a fronteira do Brasil com outros países, os casos de contrabando de cigarros e tráfico drogas só têm crescido, assim como o abuso dos seus responsáveis
Foi o tempo em que o contrabando de cigarros e o tráfico de drogas eram feitos em pequenas quantidades. Quilos se transformaram em toneladas e dezenas de cigarros apreendidos passaram para a ser milhares.
Enquanto o governo continua com os olhos fechados para a fronteira do Brasil com outros países, principalmente Bolívia e Paraguai, não apenas os casos de tráfico de drogas e contrabando de cigarros têm crescido a cada dia, como também o abuso dos seus responsáveis.
A mega-apreensão de cigarros realizada no fim de semana mostra muito bem a estrutura dos grandes contrabandistas e também a confiança na falta de segurança. Deu errado desta vez. Em uma única operação, a polícia aprendeu 11 carretas carregadas com cigarros contrabandeados do Paraguai, com um prejuízo de R$ 33 milhões para contrabandistas, como mostra reportagem da edição de hoje do Correio do Estado. Mas quantos carregamentos com cigarros, armas e drogas passaram sem nenhum tipo de abordagem?
São muitos quilômetros de fronteira sem fiscalização ou que, em casos extremos, contam com a conivência de policiais corrompidos, como apontou a Operação Oiketicus, deflagrada recentemente pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. A corrupção de agentes de segurança só confirma o poderio dessas organizações e a incapacidade de visão macro do problema dos governantes em combatê-las. Essa inércia ficou evidente quando o governo federal anunciou a intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro e deixou para o restante dos estados, incluindo fronteiriços como Mato Grosso do Sul, somente a possibilidade de uma linha de crédito que mais se assemelha a uma “agiotagem” para investimentos em segurança.
Investir no combate à violência no Rio de Janeiro, ou em qualquer grande estado brasileiro, e deixar as portas escancaradas para o tráfico de drogas e armas na fronteira é o mesmo que enxugar gelo.
Fechar as fronteiras reduziria o poder de fogo e também financeiro dessas organizações especializadas no tráfico internacional de drogas e armas e no contrabando de cigarros, as quais movimentam uma cifra maior do que a receita anual de muitos municípios brasileiros.
Somente o Primeiro Comando da Capital (PCC) movimenta cerca de R$ 400 milhões ao ano, no mínimo, podendo chegar a R$ 800 milhões, o que colocaria a facção entre as 500 maiores empresas do País. Enquanto isso, a União continua sucateando a segurança pública e cortando o já escasso recurso das Forças Armadas que atuam na fronteira de Mato Grosso do Sul e os comboios de contrabandos e tráfico continuam a crescer, assim como a estrutura de seus donos.