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ARTIGO

Gilberto Verardo e Wilson Sami: "Atendimento multiprofissional"

Psicólogo e médico, respectivamente

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Abaixo da classe média, ficar doente é se resignar e constatar que o direito à saúde é uma retórica. Não sei exatamente como se sentem, mas não deve ser nada fácil. Pensando que ser cumpridor de suas obrigações de cidadão lhe garante um atendimento decente no sistema público de saúde, a primeira retribuição que se espera nestas horas é um acolhimento adequado ao sofrimento que está passando e uma espécie de reconhecimento por ser cidadão que cumpre seus deveres como tal.

Neste momento, é o contribuinte que está frágil, mas também o ser humano, com um corpo monopolizado pela medicina. Neste momento, apenas a disfunção do seu equipamento celular é objeto de consulta inicial. Encontra-se diante de uma busca frenética por sintomas catalogáveis que vão indicar um diagnóstico.

Como andam suas contas, a nota dos filhos, a saúde da família, suas alegrias e decepções e seus anseios são deixados do lado de fora. Não pode reclamar, pois esse é o modelo em saúde. A primeira coisa que deseja é ver reconhecida sua identidade como pessoa, como cidadão, porem, é apenas um sintoma reclamando que entra e que sai de uma Unidade de Saúde. Pobre mortal sabe agora que tinha de ter tomado cuidados adicionais para não se deparar com outro sintoma – a total falta de empatia dos atendentes.

Quando se está com alguma dor, é como se todo o seu corpo estivesse com dor, pois, para quem sente dor, não há nenhuma razão para definir o tipo da dor. Quer se livrar do incômodo apenas.

Não dá para mudar do dia para a noite esse modelo de saúde. Muito menos pegar no pescoço desse pessoal e lembrar-lhes o juramento de Hipócrates. Também não adianta recordar de que a dor é da pessoa que sente, não do diagnóstico e do medicamento milagroso. Talvez uma alternativa rápida, barata e eficaz seja introduzir a consulta e o atendimento multiprofissional na saúde pública como forma de poupar a classe médica do rancor dos usuários e auxiliá-los em outras dimensões da saúde que sua especialidade não alcança o suficiente. Poderia funcionar assim, resumidamente, é claro. Nada que um bom treinamento não seja capaz de usar a mão de obra existente e colocar todo mundo para falar a mesma língua – a do usuário.

Uma consulta multiprofissional compatível com os tempos modernos, na opinião deste escriba, seria: médico clínico-geral ou que possa desempenhar tais atribuições, sua consulta é voltada para identificar/diagnosticar as reclamações clínicas do usuário, solicitando os exames complementares que achar necessários e fazer o receituário de praxe. Acompanhado agora de uma ficha multidisciplinar, o usuário será recomendado a uma consulta com o próximo profissional, se assim o desejar.

Psicólogo, de modo a verificar os aspectos socioemocionais que possam contribuir para o seu problema clínico. Este profissional também verifica a necessidade ou não de acompanhamento psicoterápico. Em seguida, sugere ao usuário a consulta com o nutricionista, que terá a finalidade de verificar a adequação ou não de sua alimentação diária, além de levantar a possível interferência da sua alimentação diária na formação do seu quadro clínico, fazendo as necessárias recomendações para uma alimentação de qualidade e saudável. Caso haja necessidade, em razão do quadro de carência econômica e nutricional, este profissional poderá encaminhar o usuário para algum tipo de programa da prefeitura de complementação alimentar, vinculado ao Programa de Segurança Alimentar, do governo federal. Em seguida, este profissional sugere uma consulta com o próximo profissional.

Terapeuta ocupacional. A consulta com este profissional, que para este tipo de trabalho deve receber treinamento adequado, tem a finalidade de fazer uma avaliação do nível de satisfação x insatisfação ocupacional e suas possíveis repercussões para o seu quadro clínico, além de avaliar a qualidade ou a inexistência do lazer na vida do usuário. O lazer, quando prazeroso, produz um hormônio denominado endorfina – substância importantíssima para a sensação de prazer, bem-estar e equilíbrio do corpo humano, tanto no aspecto físico quanto mental, contribuindo para a melhoria da capacidade imunológica do organismo humano, além de excelente fator de prevenção. A seguir, este profissional vai sugerir a consulta com o próximo profissional. Fica sempre a critério de o usuário aceitar ou não.

O profissional de educação física vai avaliar a qualidade do desempenho dos movimentos físicos, suas limitações e suas possibilidades. É corrente hoje, no mundo da ciência da saúde, que o corpo humano necessita, sobremaneira, de exercícios diários, não apenas para queimar os excedentes calóricos, como também para o funcionamento do conjunto total do corpo humano, seja como mecanismo de educação física em seu sentido etimológico ou no aspecto preventivo. Além disso, a atividade física constante é produtor potencial também de endorfina.

 

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