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OPINIÃO

André Luís de Moraes: "Um campo de inovações"

Diretor de Desenvolvimento de Produto da Bayer Brasil

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Desde a virada do século 21, o desenvolvimento tecnológico tem brindado a humanidade com ferramentas que se converteram em importantes aliadas do homem em diversas áreas de atuação, desde o desenvolvimento da indústria até a medicina. Na agricultura, não poderia ser diferente, e o melhor é saber que essa empreitada está apenas começando!

A tecnologia, embora atualmente conhecida por aparatos cada vez menores e mais capazes de processar milhares de informações por segundo, vem transformando a vida de todos há centenas de anos. Muito antes dos smartphones, a evolução tecnológica nos apresentou a prensa, a locomotiva, o primeiro carro, o rádio e inúmeras outras “inovações” que hoje nos parecem arcaicas. 

Ainda assim, é inegável que, com a criação do computador na década de 1940, e da internet, em 1969, os avanços passaram a acontecer em alta velocidade. Em 70 anos, o mundo e a forma como vivemos nele foram drasticamente modificados pelo uso das tecnologias. Da facilidade da impressora 3D, até a incrível capacidade de se operar um coração com a ajuda de nanossensores, a tecnologia cada dia mais nos auxilia na solução de diversos problemas em infinitos cenários. 

A agricultura com certeza faz parte dessa evolução. No campo, a tecnologia é uma aliada indispensável diante de desafios, como a escassez de recursos naturais e uma população mundial crescente. Assistimos a transformações inegáveis nessa atividade milenar que já não se resume ao processo “semear, cuidar, colher”, mas sim a um conjunto complexo de práticas que contemplam a análise de dados com softwares de processamento e interpretação de imagens, ferramentas de monitoramento climático nas lavouras e até mesmo robôs que verificam os nutrientes no solo às vésperas da plantação. 

Tamanho avanço, claro, só é possível porque o setor tem investido cada vez mais em estudo e pesquisas, que resultam em inovação. Por exemplo, quando olhamos para o controle de pragas e doenças nas lavouras, identificamos importantes tecnologias que aperfeiçoam a utilização de defensivos agrícolas. Entre essas novas soluções, é importante destacar o papel fundamental desempenhado pelos drones.

Já estão sendo desenvolvidos estudos para entender como esta tecnologia pode ser útil também na aplicação de defensivos agrícolas. No mercado de frutas e hortaliças, um dos mais fortes na América Latina, por exemplo, aplicações de baixo volume e com mais precisão ajudarão produtores não só a otimizar custos, como a superar algumas barreiras. Muitos destes cultivos – como abacaxi, banana, uvas e outras frutas delicadas – ainda dependem da utilização de aplicadores costais por não comportarem o uso de maquinário pesado. Plantações de café em terrenos complexos, como morros e encostas, poderão igualmente se beneficiar desta solução, evitando que agricultores se exponham a riscos na hora das aplicações. 

Vale considerar também a eficiência por trás da tecnologia, uma vez que pesquisas preliminares em diferentes instituições mostram uma drástica redução de tempo de aplicação por hectare. Esse, a meu ver, é um avanço ainda mais importante, porque beneficia diretamente o produtor rural. Estamos falando da substituição de 12h/hectare de aplicação, uma atividade que exaure um aplicador costal, por exemplo, por apenas 15 minutos/hectare de voo com um drone, que poderá ser controlado por esse mesmo aplicador. 

Apesar de se tratar de um projeto em fase-piloto na América Latina, acredito que a implementação de drones, como uma nova ferramenta de aplicação ou coleta de dados, caminha para ser a mais recente etapa de uma revolução agrícola que todos pensavam ter acabado com a chegada de colheitadeiras automáticas e tratores que se autoconduzem. Não sem motivo, uma pesquisa realizada pela consultoria PwC verificou que o mercado de soluções com drones na agricultura chegará a movimentar 
US$ 32,4 bilhões no mundo.

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