Reverência, saudação solene endereçada a quem está investido(a) de autoridade. É saudação que enaltece o mérito na autoridade e, no reverente, a humildade e o senso de disciplina. É bonito de se ver, é educativo e transmite paz. Quando a reverência se faz por cumprimento de dever, de protocolo, ainda assim é elegante e reveladora de erudição. Pois ela é endereçada à autoridade, não à pessoa que a exerce, tanto é verdade que, não investida da autoridade, a pessoa não é saudada com a reverência a que fazia jus.
O mais salutar da reverência é quando é embebida em prazer, enaltece o mérito da autoridade. Busca seu exemplo e o quer propagar a todos, entre os seus. Deseja ardentemente que todos os que são e serão autoridades medrem-se em igual mérito. Com solene, prazerosa e até absorta reverência, saúda o autor deste, a distância, pelo recurso das letras, à presidente da República da Croácia, senhora Kolinda, confessando sentir inveja do povo croata. Como seu povo sabe jogar futebol!
Sabe comemorar... e como sabe votar! Sua imagem, sua conduta como chefe de estado é de elegância tal que beijar-lhe a mão é pouco significativo, impõe-se beijar também o pé, reconhecendo seu mérito e sonhando em vê-lo incorporado por aqui. Temos elegantes personagens sim, no povo anônimo, em nossa literatura, nas páginas de nossa história. Temos o maior número de títulos de Copa do Mundo; um território equivalente a muitas Croácias; maior população e não tantas e nem tão niveladas escolas. Exatamente aí reside todo o nosso problema. Tivemos grandes estadistas, D. Pedro 2º, o maior deles, foi desterrado e morreu na França, mais perto da Croácia que daqui. Daqui se curva o autor deste, em reverência respeitosa, com admiração e, paradoxalmente, com pesar, pois este que se curva ante altar de dignidade, o faz vendo investidos nos mais altos poderes de seu País tantos a quem até a reverência protocolar dói cumprir. Sabendo que eles lá chegaram pelo mesmo meio que chegou uma Kolinda.