A cada dia, o governo do Estado perde mais dinheiro em não concluir o Aquário do Pantanal do que se tivesse gastando em sua finalização, de fato.
Projetado para ser o maior aquário de água doce do mundo, o Aquário do Pantanal pode ter se transformado em mais um elefante branco em Campo Grande. A obra, que já consumiu milhões em recursos, está parada há 43 meses e fica ainda mais cara a cada dia. Dos R$ 34 milhões que restavam para finalizar o projeto, o valor já aumentou alguns milhões.
Deixar uma obra abandonada daquela forma vai além do parar de investir, é perder dinheiro, uma vez que, gradativamente, toda a estrutura já montada é degradada pela ação do tempo e/ou pela falta de manutenção, como mostra reportagem do Correio do Estado desta terça-feira. Não precisa ser especialista para saber que muita coisa terá de ser refeita, bastante madeira precisará ser substituída e vários parafusos enferrujados terão de ser trocados, exclusivamente pela falta de manutenção. Resumindo: muito dinheiro público terá de ser gasto ali para reparar os anos de abandono. O Aquário do Pantanal mostra que alimentar um elefante branco custa caro.
Independentemente de ser ou não essencial para Campo Grande, o aquário consumiu volume substancial de dinheiro, tanto que hoje custa mais barato concluí-lo do que simplesmente ignorar os R$ 200 milhões já investidos no local. Quando se trata de obra ou de imóvel, manter fechado ou inacabado não é deixar de ganhar, é perder dinheiro. Além de ter de gastar progressivamente para terminá-lo, Campo Grande deixa de ganhar economicamente com essa obra, que poderia atrair centenas de turistas.
O mais grave é que o governador Reinaldo Azambuja teve sua chance de terminar esse projeto. Quando assumiu o Executivo Municipal tinha dinheiro em caixa para concluí-lo, mas não o fez. Na época, o discurso era de que “preferia investir em hospitais do que no Aquário do Pantanal”. Não fez nenhum dos dois. As obras do Hospital Regional de Três Lagoas, anunciadas ainda na gestão passada, só foram iniciadas em março de 2017 – quando foi dada a ordem de serviço – e deverão ser entregue ao próximo gestor. O mesmo ocorre com o hospital regional de Dourados, cuja primeira etapa foi lançada no início do ano.
É sabido por todos que o País foi marcado com uma das piores crises econômicas da história, o que afetou diretamente a arrecadação das administrações públicas. Governantes tiveram de fechar a torneira para conseguir equilibrar as contas, mas, dentro desse cenário de grave crise, Mato Grosso do Sul até que se saiu “menos ruim” do que muitas outras unidades federais.
Recentemente, surgiu nova oportunidade, com recursos que caíram no colo do governo do Estado, jogados pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Dinheiro que não era esperado, logo não teria destino. Mas, mesmo assim, não será utilizado para terminar a obra.
Não restam dúvidas de que o aquário não é prioridade para Azambuja, o motivo dessa aversão é que levanta dúvidas. Isso só mostra que o que faltam são planos de Estado, não de governo. Os exemplos nessa maneira de se governar podem ser vistos de várias formas, seja pelo prefeito – que manda pintar todos os prédios públicos com sua cor favorita (para deixar sua marca) –, ou pelo governador – que se recusa a terminar uma obra que não foi iniciada por ele. Enquanto essa mentalidade se mantiver, dificilmente teremos um estado com crescimento constante.