Nada pior que um coração partido e despedaçado. Entretanto, neste caso, não devemos considerar a forma romântica e poética de se observar este problema. Embora todos na vida já tenham sofrido os males do amor, doenças cardiovasculares assolam milhares de pessoas por todo o planeta.
Conquanto tenhamos uma política mundial de preservação do coração que inclui medidas preventivas, como boa alimentação, perda de peso e exercícios físicos, muitas doenças podem danificar a maquinaria cardíaca, podendo levar milhares de indivíduos à morte. Entretanto, no mês de maio, cientistas japoneses obtiveram permissão para tratar pessoas com doenças cardíacas utilizando células produzidas por uma técnica revolucionária de reprogramação. Neste estudo, observou-se a fantástica aplicação clínica de células-tronco pluripotentes induzidas (conhecidas como iPS do inglês “inducible pluripotent stem-cells”).
Estas células podem ser criadas pela indução das células de inúmeros tecidos do corpo, como pele e sangue, retornando a um estado embrionário.
A partir deste ponto, estas podem desenvolver-se em outros tipos de células, incluindo as células cardíacas. Em suma, as células dão passos para trás para poderem avançar de formas diferentes, sendo remodeladas de acordo com a necessidade. Desta forma, o Ministério da Saúde do Japão deu luz verde aos médicos para que utilizassem finas camadas de tecido derivado de células iPS e as enxertassem em corações humanos doentes. A equipe, liderada pelo cirurgião cardíaco Yoshiki Sawa da Universidade de Osaka, diz que as finíssimas folhas de tecido podem ajudar a regenerar o músculo cardíaco quando ele for danificado, incluindo os temíveis ataques cardíacos.
O tratamento será inicialmente testado em três pacientes em 2019. Se o tratamento mostrar-se seguro, o mesmo poderá ser vendido comercialmente pelo sistema fast-track para medicina regenerativa. Este sistema japonês objetiva acelerar a disponibilidade de procedimentos que possam fazer a diferença no salvamento de vidas. A técnica inovadora consiste em utilizar iPS para criar uma folha contendo aproximadamente 100 milhões de células do músculo cardíaco. Testes em porcos demonstraram que enxertar essas folhas de células com 0,1 milímetro de espessura e 4 centímetros de comprimento em um coração pode melhorar a função do órgão. Incrivelmente, as folhas celulares não parecem se integrar ao tecido cardíaco, mas liberam fatores de crescimento que ajudam a regenerar o músculo danificado.
Uma vez que a equipe japonesa demonstre que pode realmente ajudar os três pacientes agendados no próximo ano, serão realizados posteriormente ensaios clínicos envolvendo de sete a dez pessoas. Vale ainda ressaltar que este tratamento consiste em uma estratégia pioneira e, mesmo que as iPSs forem consideradas seguras, existem os riscos associados a toda cirurgia.
Desta forma, é importante deixar claro que os pacientes não devem desistir de outras terapias para um tratamento que pode ainda não funcionar. Entretanto, nada mais importante observar que novas estratégias e soluções devem ser sempre bem-vindas. Que os poetas e românticos nos desculpem, mas a ciência tem uma nova arma para acabar com a inspiração da tristeza e controlar os corações dilacerados. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.