O sistema de transporte público de Campo Grande, cheio de deficiências e reclamações, chegou a uma situação inimaginável para uma concessão pública.
Alguns temas tornaram-se quase unânimes nas últimas três décadas. Exemplos destes assuntos são o meio ambiente e desenvolvimento sustentável e o outro, no mesmo diapasão, a necessidade de reduzir o volume de veículos nas ruas, para evitar congestionamentos e até mesmo acidentes de trânsito. Não houve gestor ou político nos últimos anos que argumentou veementemente contra estas pautas. No discurso, tentam ser eloquentes e prometem ações (ainda que genéricas) para criar um mundo melhor a partir destes temas. A prática, porém, é outra.
Campo Grande está inserida no cenário descrito acima. Não há quem não concorde com soluções para o trânsito e cuidados com o meio ambiente. O município, porém, no que diz respeito ao transporte público, pouco faz por estes temas, e muito menos por um outro: agir de forma enérgica para garantir o conforto do cidadão que precisa utilizar o ônibus para se locomover pela cidade. Desde 2012, o Consórcio Guaicurus parece fazer o que bem entende na zona urbana. Muito se reclama. Pouco, entretanto, é mudado.
Em que pese o trocadilho, ontem, o sistema de transporte de Campo Grande chegou a um ponto inimaginável para uma concessão pública. Conforme publicado em nosso portal na internet e também nesta edição, um veículo permaneceu mais de uma hora parado na rua, por causa de falha mecânica (até aí, tudo sob controle, pois trata-se de um caso fortuito). O problema é que a equipe do Correio do Estado flagrou um dos prestadores do Consórcio Guaicurus abastecendo o ônibus: suspeita de pane seca.
Nos comentários que chegam a nossa redação, seja por meio de redes sociais ou em nosso portal de notícias, não há elogios, somente reclamações. Tudo bem que o transporte público sempre foi alvo de críticas, mas não há um elogio sequer? Há algo estranho nisso, e a Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg) deveria cumprir seu dever, e agir.
Os sistemas de transporte público de outros países estão aí para provar que é possível prestar um serviço de qualidade ao cidadão e ainda ser elogiado por isso. Com um bom sistema de transporte público, certamente haveria menos carros e motocicletas nas ruas e, por consequência, um volume menor de acidentes e de veículos nas vias públicas. Todos, inclusive o poder público, ganhariam com uma atuação mais contundente do município na regulação do serviço.
O que existe, contudo, são veículos apresentando defeito quase diariamente, falta de sinalização e orientação para os passageiros nas ruas e dentro do veículo, conforto nulo. E tudo continua como está. Nem parece que se trata de uma concessão pública de um serviço essencial.