No momento, seria mais vantajoso leiloar a aeronave e usar o dinheiro arrecadado para oferecer melhores condições de trabalho aos policiais.
Qual cidadão não quer uma polícia bem equipada? Muito raro alguém ser contra o poder público oferecer boas condições de trabalho aos agentes da lei. Com exceção dos que estão direta ou indiretamente envolvidos com a criminalidade, a defesa de uma polícia estruturada é algo quase unânime.
O que é preciso em qualquer organização policial, contudo, é olhar estratégico para fomentar não somente o combate e a prevenção ao crime, mas também inteligência, para desmantelar a atuação das quadrilhas e prender os grandes bandidos, que são os chefões. Falando em inteligência, também é preciso ter boa noção do orçamento das forças policiais, para que os recursos – que todos sabem não estão sobrando nos dias de hoje – sejam aplicados da maneira mais eficiente possível.
Nesta edição, trazemos reportagem em que mostramos que a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio de convênio com a Polícia Federal, recebeu da Justiça Federal helicóptero apreendido na Operação Laços de Família e que era usado no tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Qual ente governamental não quer ganhar uma aeronave que custa milhões de reais? Claro que o governo de Mato Grosso do Sul quis e aceitou usá-la. Há, contudo, de se fazer uma reflexão sobre o assunto.
Atualmente, o Estado dispõe de dois helicópteros, um adquirido com recursos federais e que está em uso, e um outro – o primeiro da Sejusp – que, assim como o helicóptero apreendido com o PCC, também pertencia a uma organização ligada ao tráfico. Trata-se da aeronave que já pertenceu ao megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia. Por meio de convênio semelhante, ela foi destinada ao governo de Mato Grosso do Sul e não é usada há anos porque a administração estadual considerou sua manutenção muito cara.
Desta vez, as autoridades de Mato Grosso do Sul estiveram diante do mesmo dilema. Optaram por aceitar mais um helicóptero e “ganhar” mais uma despesa. Darão conta? Só o tempo dirá. Esperamos que a aeronave seja muito bem empregada e que sobre dinheiro para tal iniciativa. O problema, como já foi dito, é que recursos de sobra não integram a realidade dos cofres públicos. Pensamos que, no momento, seria mais vantajoso leiloar a aeronave e usar o dinheiro arrecadado para oferecer melhores condições de trabalho aos policiais.