Os dados estão aí. A principio se oficiais não há porque suspeitar da veracidade. Eles por exemplo matam nossa curiosidade e às vezes nos levam ao espanto como, por exemplo, a existência 7,5 bilhões de terráqueos e seis bilhões de celulares. No Brasil com aproximadamente 212, 6 mi. com 208 mi. de aparelhos.
No mundo o patrimônio de 25 famílias mais ricas, é de 1,1 trilhões de dólares, e na “terrinha”, apenas 15 famílias detêm 122 bilhões de dólares, ou seja, 5% do PIB, apenas “umas poucas mãos e algumas cabeças”.
O espanto se traduz quando vemos que 1% desses mais ricos concentra 28% da renda, ou seja, a riqueza de meia-dúzia corresponde à metade daquela da população pobre, 100 milhões de nativos. 5% são mais ricos do que 95% da população.
As classes sociais são definidas pela renda em (mil) reais aproximadamente: A (1%) de 14 a 40; B (4%) de 7 a 14; C+ (9%) de 3,5 a 7,0; C- (16%) de 2,0 a 3,5; D(20%) de 1,4 a 2,0, e a E (46%) com renda familiar de até 1,3, ou seja, 66% das famílias brasileiras ganham até R$ 2.034,00.
Aqueles que têm a felicidade de ler (alfabetizados), ter acesso a esse texto, impresso ou midiático (ou seja, de uma classe privilegiada), de entender o contexto (nível de instrução qualificado), de fazer analogias, análises, reflexões sobre esses dados (um extrato distinto da população) independente do nível de renda, tem obrigação de saber, quem decide sobre suas vidas.
São essas cabeças que definem os destinos sociais e induzem os comportamentos. Que tem o mando do poder de legislar por você representando sua vontade, incentivando seus desejos ao impor o consumo e seus mercados; direcionam suas atitudes, condicionam suas subalternidades, exortam seus ressentimentos, instigam seus ódios, controlam suas vidas por meio das incertezas, do medo, da ignorância, com idealizações falsamente arquitetadas para o seu suposto e “confortável bem estar” em contraposição ao resto do povo, os párias, mantidos apartados do meio social.
Essa classe (uma parcela em relação ao todo) se aglutina socialmente a grupos de interesses diversos e benefícios próprios, controla as políticas sociais e econômicas, por meio de partidos e representações parlamentares, monopoliza os mercados com a propaganda e a mídia, impõe seus conceitos de democracia e poder, domina a cultura, difunde e formata nos ambientes de ensino ou nas congregações religiosas as cabeças de neófitos com o conhecimento que lhes interessa.
É uma baixa oligarquia, capatazia do capitalista, que se estabelece e cria um sistema de mando concentrando os poderes institucionalmente em associações patronais, corporações financeiras e econômicas, congregações religiosas, seitas doutrinarias, agremiações esportivas, facções ideológicas, todos em busca de ideal assemelhado à superioridade, a serviço daquelas poucas cabeças, em detrimento das necessidades da massa popular.
Essa pseudo-elite, um pequeno grupo, por meio da sucessão e de vínculos familiares, afetivos, econômicos, ideológicos estabelece as regras e as praticas políticas com o caráter ético e legal, a serem implantadas pelo Estado que lhe assegura o controle da minoria, mantendo a maioria à margem da sociedade.
Ao nos depararmos com assustadores números como 3,5 milhões de pessoas vivendo na miséria; 28 milhões de indigentes; metade da população pobre representa 13% da renda gerada no país que tem 25 milhões de desempregados e em subempregos; obrigatoriamente é preciso fazer uma reflexão.
Será que a FAO/ONU seria capaz mentir ao revelar que entre 2001 e 2012, o Brasil saiu do mapa da fome, reduzindo a pobreza extrema de 75%, ou seja, em cada 100 miseráveis, 75 passaram a comer?
Essas “mãos e essas cabeças” querem que você continue desacreditando nisso e assistindo não a esse reality show, mas o do entretenimento, não as matérias que revelam a pobreza real, e sim as que lhe assustam com a violência urbana, não as noticias que mostram que a corrupção é própria do mercado e não exclusividade de políticos (a maioria detém atividades econômicas na iniciativa privada), reportagens que focam a meritocracia e não a falta de oportunidades para todos, ou a desigualdade quanto à distribuição da riqueza gerada pelo trabalho.
Mais uma vez, em silencio elas vêm trabalhando ardilosamente seu ressentimento de modo garantir a manutenção dos privilégios, impedindo que a razão dirija seu voto para o social.