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Wagner Cordeiro Chagas: "As eleições de 1990 em MS"

Wagner Cordeiro Chagas: "As eleições de 1990 em MS"

Aline Oliveira

05/09/2018 - 02h00
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Apresento aqui o quarto artigo da série sobre as eleições gerais em Mato Grosso do Sul, neste verso sobre o pleito eleitoral de 1990. Aquela disputa aconteceu sob a influência de dois contextos: um em nível nacional e outro, estadual. O primeiro diz respeito ao início do governo Fernando Collor de Mello (PRN), o mais jovem chefe da República brasileira, eleito aos 40 anos de idade, em disputa acirrada com o ex-operário e deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 1989.

Empossado no dia 15 de março de 1990, o presidente surpreendeu a nação ao apresentar o Plano Collor, que, entre outras medidas, confiscou o dinheiro da poupança de significativa parcela dos brasileiros. O governo alegava que era uma medida dura para derrubar a inflação descontrolada herdada do governo José Sarney (PMDB). O plano fez os preços caírem por alguns meses, mas, ao mesmo tempo, gerou uma grave recessão econômica, pois, sem dinheiro em circulação, empresas e fábricas diminuíram a produção e isso gerou demissões.

Em âmbito estadual, Mato Grosso do Sul era administrado por Marcelo Miranda Soares (PMDB), que, em razão de vários fatores, enfrentava problemas de gestão, como atraso no pagamento de salário de servidores públicos. Além da popularidade baixa, o governador experimentava uma crise política em consequência do rompimento dos irmãos Wilson Barbosa Martins e Plínio Barbosa Martins com seu grupo e partido.

No entanto, pouco tempo depois, conforme a historiadora Marisa Bittar, quando Marcelo Miranda declarou apoio a candidatura de Gandi Jamil (PDT) ao governo, o senador Wilson Martins (PSDB) articulou e colocou sua filha Celina Jallad (PMDB), como candidata a vice-governadora naquela chapa. O PMDB, que desde 1982 era a cabeça de chapa, nesta eleição ocupava uma posição de menor destaque.

Nesse contexto, eis que reapareceu o ex-governador Pedro Pedrossian como candidato ao Executivo estadual. Nas eleições presidenciais de 1989, ele foi o maior apoiador de Fernando Collor no Estado. Em contrapartida, Collor deu total apoio a Pedro Pedrossian na campanha de 1990. Dessa forma, a disputa ao governo deu-se entre o engenheiro civil Pedro Pedrossian (PTB), o empresário e então deputado federal Gandi Jamil (PDT) e o advogado Manoel Bronze (PT).

Desta vez, as eleições não ocorreram no dia 15 de novembro, como em 1986 e 1982, pois, como determinava a Constituição de 1988, seria no primeiro domingo de outubro. Pedro Pedrossian, famoso no antigo Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul por realizar grandes obras públicas, venceu no primeiro turno.

Para a Câmara dos Deputados, foram eleitos: Marilu Guimarães, José Elias Moreira e Nelson Trad, todos do PTB. Do PST: Flávio Derzi e Waldir Guerra. Três partidos elegeram um nome cada: Elísio Curvo (PRN), George Takimoto (PFL) e Valter Pereira (PMDB).

Para a Assembleia Legislativa, foram escolhidos, pelo PTB: Fernando Saldanha, Valdomiro Gonçalves, Waldir Neves, Wilson de Oliveira, Armando Anache, Aluísio Borges e Claudinei da Silva. Pelo PST, Londres Machado, Alberto de Oliveira, Maurício Picarelli, Sebastião Tomazelli e José Batiston. Do PMDB, elegeram-se: Valdenir Machado, Waldemir Moka e Franklin Masruha. O PDT foi representado por Oscar Goldoni, Roberto Razuk, José Monteiro e Loester Nunes.

Do PFL, o único eleito foi Cícero de Souza. O PSDB, o PT e o PRN, partido nanico de Collor, estrearam no Legislativo estadual. O primeiro, com André Puccinelli e Eder Brambilla; o segundo, com Zeca do PT; e o terceiro, com Humberto Teixeira.

O senador eleito para a única vaga foi o ex-prefeito de Campo Grande Levy Dias (PTB), que concorreu com Juvêncio da Fonseca (PMDB) e Pedro Teruel (PT).

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