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Antônio Carlos Siufi Hindo: "Pecado sem perdão!"

Promotor de Justiça aposentado

Redação

06/09/2018 - 02h00
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O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) divulgado recentemente mostrou que sete em cada grupo de dez alunos do Ensino Fundamental e Médio das nossas escolas públicas não sabem ler e escrever corretamente a língua pátria. A deficiência é ainda maior na área da matemática. A estatística divulgada não desnudou nenhum fato inusitado. Sua divulgação apenas consolidou um entendimento que resultou alicerçado ao longo de séculos.

Foi assim que os nossos colonizadores, os imperialistas e os republicanos de todos os naipes trataram a educação. Os nossos estudantes não têm nenhuma culpa. As nossas crianças, adolescentes e jovens não conhecem com razoabilidade o vernáculo. Não dominam suas regras. Mas não é só. Não conseguem construir um texto de dez linhas sobre nenhum tema apresentado. Não estamos falando dos erros grosseiros de grafia. Falamos da falta de conhecimento fático a respeito dos temas que poderiam enriquecer toda redação. Essa é a fotografia explícita de uma realidade amarga.

No campo da oralidade, o desastre é ainda maior. Esse é o Brasil que estamos construindo. Esses dados estatísticos são referentes apenas às disciplinas de português e de matemática. No campo do conhecimento da nossa História, os números não seriam diferentes. Os nossos heróis nacionais e outros tantos vultos que ajudaram a construir a nossa linda história são desconhecidos. Sem o culto a esses homens e mulheres que a edificaram fica difícil construir uma pátria altiva, digna e respeitada.

A fotografia da imensa maioria das nossas escolas públicas pode ser um indicativo importante para o entendimento desse descaso. Piso de chão batido, teto de sapé e zinco, falta de água potável, deficiência de energia, privadas indignas. Isso tudo mais os aspectos pedagógicos deficitários completam esse quadro horroroso. A maioria dos nossos alunos marcha para a escola empurrado pela fome e pela miséria. Nessas condições deprimentes, não conseguem um aprendizado capaz de nos cobrir de orgulho. As bibliotecas em total abandono retiram das nossas crianças o desejo de avançar em seus propósitos. Os laboratórios são o retrato do atraso. A qualificação de uma parte considerável dos nossos docentes resulta precária. O salário miserável é o seu indicativo.

Os bons mestres deixam esse sacerdócio em busca de outras atividades laborais que lhes proporcionem uma vida digna. Nesta semana, o nosso País conheceu um dos maiores desastres na sua área cultural e histórica. O incêndio do Museu Nacional. Peças preciosas foram danificadas pelo fogo. Legados importantes para a descoberta da nossa origem foram transformadas em cinzas. Outras tantas peças preciosas para os estudos científicos desapareceram na rapidez de um sopro. O mundo inteiro ficou estarrecido com esse descaso das nossas autoridades. É a evidência maior do desrespeito para com a nossa história e a nossa cultura. Um crime contra a humanidade. Outras evidências igualmente gritantes se sobressaem.

Só a educação edifica a nação. Os exemplos estão em todos os continentes. Precisamos prestar atenção para esse fato que fizeram a grandeza das nações desenvolvidas. Não existe mágica para alcançar esse nível. Conversas fiadas não resolvem. Promessas que nunca serão cumpridas, já estamos cansados de ouvir. Só com os investimentos fortes na área da educação, chegaremos a esse patamar de desenvolvimento. Os eventuais avanços científicos e tecnológicos que poderemos produzir com o nosso desenvolvimento, aliado à imaginação e à criatividade do nosso empresariado, poderão oferecer frentes significativas de trabalho. Mas enfrentarão seguramente um entrave. A desqualificação da nossa mão de obra jogara os nossos jovens e as forças produtivas da nação para as margens dessas conquistas.

Assim estamos assistindo todos os dias as nossas inteligências se esvaindo. As nossas universidades públicas seguem o mesmo destino. O espírito sempre desafiador dos nossos universitários ainda consegue vencer essa barreira amarga. Apresentam trabalhos científicos maravilhosos. Os cientistas da Nasa recentemente reconheceram um desses trabalhos apresentados pelos nossos universitários. Eles são produzidos por apenas 1% dos estudantes que chegam às universidades. Um índice vergonhoso. O restante deles fica perdido na escuridão. Esse legado retrata o pecado que os governantes cometeram. Um pecado sem perdão!

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