No dia do aniversário da independência do Brasil, é mais oportuno do que nunca refletir sobre a soberania e segurança de nosso povo e pela defesa de nosso território. Nesta edição, mostramos que o Brasil, país de dimensões continentais, tem uma fronteira cada vez mais vulnerável. É importante lembrar que guardar suas fronteiras é um dos atos mais simbólicos para dar plenitude à palavra soberania.
Não é novidade para ninguém a informação de que nossas fronteiras estão abertas. A novidade está na manchete desta edição, e em nossas páginas: metade das armas que entram ilegalmente pelo Brasil passam pelo Estado de Mato Grosso do Sul. É simplesmente a consolidação da suspeita que todos já teriam, principalmente aquela de que o armamento que abastecia as organizações criminosas do Rio de Janeiro e São Paulo tinha a fronteira com Paraguai e Bolívia como porta de entrada.
Com os dados apresentados na página 8, de agora em diante, sempre que um morador de Mato Grosso do Sul ficar sabendo de um tiroteio numa favela do Rio de Janeiro, com traficantes fortemente armados com equipamentos de uso restrito do Exército (e também com outros equipamentos que nem mesmo as Forças Armadas têm), ele pode lembrar dos dados do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, é bom lembrar que estes armamentos que promevem a morte nos grandes centros, passaram por nossas fronteiras.
Não seria o caso de as autoridades brasileiras, se querem de fato aumentar a segurança de seus cidadãos e promover a paz - sobretudo nas capitais do Sudeste - ajustarem o foco para a região de fronteira? Mesmo o Exército, que está há meses nos morros cariocas - e nos confrontos com os bandidos, teve várias baixas - deveria mudar o foco ou, pelo menos, abrir outra frente.
A atuação dos militares no Rio de Janeiro é uma prática similar a enxugar gelo. Em primeiro lugar, ela não ataca as origens do crime organizado e privilegia o confronto, dando pouca ênfase à inteligência. Aliás, se a estratégia fosse mais inteligente, o Exército, como já dissemos, estaria na fronteira, evitando a entrada de armas no Brasil.