Ao longo de sua história, o Brasil vem recebendo influências de vários países do mundo. Neste ano em que se comemora o 40º aniversário da reforma e abertura da China, o Brasil começa a sentir a sua sutil e crescente influência. Estrategicamente, a China se aproxima dos potenciais e das extensas áreas agricultáveis, reservas minerais e do agronegócio de Mato Grosso do Sul.
Reunidos na cidade chinesa de Tianjin, entre 18 e 20 de setembro de 2018, líderes globais participarão do 12º Encontro Anual dos Novos Campeões, a maior cúpula do Fórum Econômico Mundial dedicada à Quarta Revolução Industrial. No total, a reunião receberá mais de 2.000 representantes de alto nível da política, dos negócios, da sociedade civil, da academia e das artes de mais de 100 países. O tema do encontro é “Formar Sociedades Inovadoras na Quarta Revolução Industrial – Como será que MS está se preparando para este novo momento?”.
Posicionada como segunda maior economia do mundo, com PIB de 13 trilhões de dólares e crescimento de 6,9 % ao ano (cerca de US$ 900 bi/ano), a China está em rota para superar os EUA e tornar-se a maior economia global até 2030. A partir de 2019, Pequim será um dos centros estratégicos decisórios para a economia brasileira, e o economista-chefe do Banco da China, Tse Kwok-leung, avalia investimentos e parcerias em vários pontos do mundo.
No topo da agenda estarão workshops sobre como a Quarta Revolução Industrial, uma transformação impulsionada por novas tecnologias, como inteligência artificial, internet das coisas e edição de genes, já está impactando economias e sociedades, bem como a paisagem geopolítica. O impacto dessas tecnologias inclui a implantação generalizada de robôs industriais no setor manufatureiro, uma rápida expansão no uso de inteligência artificial em negócios e pesquisa científica, além de inovações na agricultura e pecuária.
A reunião terá como foco as principais questões geopolíticas e geoeconômicas de hoje, incluindo os mais recentes desenvolvimentos no comércio global, o surgimento de um sistema geopolítico “multiconceitual” e as perspectivas para a economia mundial. Haverá também um forte foco no rápido desenvolvimento da China, com discussões sobre abertura dos mercados financeiros, criptomoedas, startups variadas, inclusive as financeiras fintechs, e o recente lançamento do maior sistema de comércio de carbono do mundo. A fintech chinesa Ant Financial, lançada há quatro anos, já alcançou valor de mercado de 150 bilhões de dólares.
Em todas as reuniões do Fórum Econômico Mundial, o desenho do programa está focado na entrega de resultados, com mais de 100 sessões de trabalho permitindo que os participantes cheguem a um consenso, formulem políticas e construam parcerias para explorar ou mitigar os impactos da onda de transformação. MS pode fazer o seu dever de casa articulando-se e participando desses debates internacionais.
“Nosso mundo está passando por uma das mudanças mais profundas da história humana. Estamos apenas no começo dessa transformação, mas sabemos que ela contém imensas promessas e desafios para nosso futuro”, disse Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial.
“Estou ansioso para me inspirar em ideias visionárias e tendências tecnológicas do fórum sobre a Quarta Revolução Industrial, que fornecerá uma grande fonte de poder para promover o desenvolvimento e o bem-estar global”, afirmou Xia Qing, diretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da China.
Nessa era de mudanças disruptivas entre a economia analógica e a “economia” digital, em que a preservação será garantida por meio da valoração dos ativos ambientais – base para os agronegócios, que, inovando, assumem a nova e lucrativa dimensão exponencial de bionegócios –, os efeitos das decisões dos “Novos Campeões”, tomadas globalmente na China, podem repercutir diretamente em MS, potência hídrica, e um dos celeiros de bioativos do planeta. Quanto será que vale Mato Grosso do Sul?