Depois de uma década de quedas consecutivas, o número de pessoas com fome no mundo voltou a crescer. Atualmente, são 815 milhões. Em 2015 eram 777 milhões. Mas nós sabemos que é possível acabar com a fome, porque produzimos comida suficiente para alimentar todos os seres humanos.
Então, por que tanta gente ainda vai dormir todas as noites sem saber de onde virá sua próxima refeição?
A real causa da fome é a falta de acesso a alimentos de qualidade.
A pobreza, a falta de investimentos em agricultura, os desafios climáticos, as variações nos preços dos alimentos, os conflitos e o desperdício de alimentos impedem 1 em cada 9 pessoas de se alimentarem bem todos os dias.
Em 2015, os Estados Membros das Nações Unidas aprovaram 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, também conhecidos como Agenda 2030, com um plano de ação para governos, sociedades, pessoas, organizações e empresas trabalharem juntos para cuidar do planeta e de todos os seres vivos.
Desde então, esse conjunto de objetivos tem guiado os esforços mundiais para alcançarmos paz, prosperidade e justiça. E o ODS 2 – Fome Zero é um dos mais desafiadores, pelo tamanho do problema. Ao mesmo tempo, é um dos mais factíveis.
Superar os obstáculos à segurança alimentar e nutricional requer a ação coordenada de muitos atores em diversas áreas, o compromisso dos governos e a colaboração de empresas e organizações. Mas para um desses obstáculos a contribuição de cada indivíduo é crucial: o combate ao desperdício de alimentos dentro de casa.
Em todo o mundo, inclusive no Brasil, um terço de todos os alimentos produzidos para consumo humano vai para o lixo. Isso significa que um terço dos recursos hídricos, energéticos e financeiros empregados na produção desses alimentos também são descartados.
O desperdício tem impactos negativos na produção agropecuária e nas economias, contribui para piorar os efeitos das mudanças climáticas e é um impedimento para que tenhamos segurança alimentar e nutricional para todos os seres humanos.
Quanto mais próximo ao final da cadeia ocorre o desperdício, maiores são os impactos, já que mais recursos foram investidos na produção, armazenamento, transporte e comercialização. Ou seja, o desperdício de alimentos que acontece na casa do consumidor é o mais danoso.
Uma pesquisa global feita pela marca Hellmann’s, da Unilever, mostra que 61% dos brasileiros assumem jogar comida fora toda semana, sendo que 49% dos entrevistados fazem isso diariamente. Saladas, vegetais e frutas muitas vezes vão para o lixo em perfeitas condições de consumo.
Eliminar o desperdício exige transformações na colheita, transporte, armazenamento, distribuição e uma mudança de hábito por parte dos consumidores.
Entender sua responsabilidade na cadeia do desperdício e ter acesso a informações sobre como aproveitar integralmente os alimentos já adquiridos podem ajudar cada pessoa a tomar decisões mais conscientes na hora de planejar, comprar e utilizar os alimentos.