Tenho ouvido com muita frequência a pergunta: “O que faço para tirar o celular, o tablet e o videogame do meu filho?” A resposta sempre vem acompanhada da palavra equilíbrio. Não dá pra ser radical. Proibir 100% o uso dos aparelhos não convence, principalmente porque nós, adultos, utilizamos diariamente as telas para trabalhar, ler, conversar e nos entreter. Tudo isso bem na frente dos pequenos. E o modelo é essencial no processo de educação.
Para entendermos a importância desse equilíbrio, precisamos primeiro estar cientes da lista de prejuízos que o excesso do uso dos gadgets gera nos pequenos usuários. Entre eles, destaco: aumento dos casos de obesidade infantil, agressividade, depressão e sedentarismo, problemas de sono e atraso na fala.
Recentemente, um estudo realizado com crianças e adolescentes do leste asiático apontou que 90% dos jovens de 18 anos são míopes. Pesquisadores atribuem o resultado à falta de exposição natural à luz solar, pois, cada vez menos, as crianças estão brincando ao ar livre.
Outra pesquisa desenvolvida no ano passado, pela Universidade de Toronto, Canadá, mostrou que quanto maior o tempo de tela, maior a probabilidade de o bebê apresentar atrasos no desenvolvimento da fala, sendo 30 minutos de exposição diária já aumentando o risco em 50%.
No livro da jornalista norte-americana Naomi Riley, recém-lançado nos Estados Unidos, “Be the Parent, Please. Stop Banning Seesaws and Start Banning Snapchat” (Seja Pai, Por Favor. Pare de Banir Gangorras e Comece a Banir Snapchat), ela alerta para a importância de limitar o uso da tecnologia desde cedo. Naomi diz que as crianças precisam ir adquirindo hábitos para que, no futuro, saibam a hora de guardarem os seus celulares.
Não tem outro jeito: devemos ficar de olho no relógio e controlar o tempo de uso dos eletrônicos pelas crianças e adolescentes. A Academia Americana de Pediatria (AAP) sugere somente 1 hora de tela para crianças dos 18 meses aos 5 anos de idade. Importante ressaltar que esse tempo deve ser fracionado ao longo do dia e com conteúdo pedagogicamente adequado. Depois dos 6 anos de idade, cabe aos pais dosar o tempo nos celulares, tablets, televisores e videogames.
Como não adianta proibir, vamos nos aliar. Desta forma, procure estar ciente de tudo que seu filho ou filha assiste nos canais do YouTube e da televisão, sempre fazendo perguntas e assistindo com eles. Assim, você terá controle e também assuntos para conversar com seu pequeno. As telas também oferecem outras possibilidades: de comunicação com quem mora distante, de conhecimento de outros países e culturas, de livros, músicas e brincadeiras que vocês podem buscar juntos.
Em meio a toda a rotina que nós, mães e pais, conhecemos tão bem – dormir, acordar, escovar os dentes, tomar banho, comer, ir para a escola, fazer esportes e usar os gadgets –, organize seu dia e tire de uma a duas horas para brincarem juntos. Jogos simples e que incentivem a socialização da família, como: memória, quebra-cabeça, forca de palavras, jogos de tabuleiro, cartas, adivinhas e mímicas. Apreciem um bom livro de papel em família. Para os pequeninos, as brincadeiras de faz de conta, como casinha, médico, escritório, restaurante, entre outras, são excelentes, pois estimulam a imaginação, a criatividade, a ampliação de vocabulário e a representação de papéis sociais.
Além dessas, jogar bola, queimada, andar de bicicleta, brincar na areia e com terra, pisar na grama e tomar sol são ótimos programas que geram muita interação entre a família. Lembrem-se: o importante nessas horas é estar de corpo e mente presentes! Sem o celular. Tem como você dar exemplo melhor?