O dia 11 de Outubro é feriado estadual. Trata-se da criação do nosso Estado do Mato Grosso do Sul. Deveria ser um dia diferente com as manifestações de civismo representado pelos desfiles escolares, palestras sobre o tema e outras iniciativas igualmente surpreendentes. Tudo isso para comemorar a nossa mais preciosa conquista. Mas, infelizmente, não foi o que assistimos. Um índice assustador da nossa população não sabe nada a respeito dessa importante data. Sabem apenas que o Estado foi criado. Não sabem mais nada.
A história, é alma de qualquer Nação. Não há como se organizar politicamente o Estado sem a construção desse alicerce sólido e imorredouro, dizia Joaquim Nabuco. São os exemplos deixados pelos nossos antepassados que consagram esse desiderato, completou. Os livros e todas as outras formas de orientação a respeito do assunto esse mesmo sentido prático. Mas as são as nossas ações diárias que vencem com maior velocidade esses indicativos que apontam para a nossa grandeza. Um povo, que não conhece a sua história; a sua origem; os valores dos seus intelectuais; das suas instituições; da sua cultura; do seu folclore; da sua música; do seu hino; da sua bandeira; dos seus heróis; e de outros tantos encantos que fazem a nossa verdadeira prosperidade, não avança com a rapidez aguardada para a concretização de seus desideratos magnânimos, fica sempre na retaguarda de outros estados da federação. Por essas razões a data de 11 de Outubro não pode ser apenas um indicativo para o descanso, o lazer. Não pode ser assim.
A nossa consciência cívica não pode ser afrontada com tamanho descaso. Em todos os quadrantes do nosso Estado não houve nenhuma manifestação digna de registro que exaltasse os nossos heróis. Não se trata de nenhuma reprimenda. Não temos autoridade para esse tipo de atrevimento. Mas é certo que esse fato histórico precioso não pode à toda evidencia passar despercebido. Ele não caiu do céu. Foi fruto de uma luta ensandecida. Nossos heróis pegaram em armas e derramaram seu sangue para que o nosso Estado fosse uma realidade. Filiaram-se ao lado dos paulistas na Revolução de 32 para defender a democracia e o respeito à Constituição. Foram derrotados. Mas esse ideal de grandeza não morreu. Ele se recrudesceu com o nosso entusiasmo redobrado. Continuou vivo e inundou de esperanças os nossos vindouros. Algo maravilhoso, enlouquecedor. Propósito generoso. Luta sacrossanta. Vespasiano Martins foi o nosso líder separatista inconteste. Esse fato está esculpido nos anais da nossa história. Não temos como contestá-lo.
O território onde nascemos, trabalhamos, construímos as nossas famílias e fomentamos o seu desenvolvimento integrado, precisa ser entendida como uma conquista sagrada. Essa é a expressão mais viva da verdade. É dessa forma que construímos no dia a dia a nossa grandeza de sentimentos cívicos. O feriado precisa ser comemorado intensamente com júbilo redobrado. Esse, 11 de Outubro em especial.
Os paulistas, sempre orgulhosos da grandeza cívica de seus filhos comemoram todos os anos a Revolução de 32. O 9 de Julho é sagrado em todos os seus quadrantes. Um alerta aos governantes despóticos. Outros estados federados igualmente importantes tem suas datas históricas consagradas. Os seus filhos ilustres se rejubilam num ambiente recheado de civismo. Exemplos dignos de serem anotados. São para esses fatos significativos que precisamos direcionar nosso pensamento. Tê-los como exemplo sem sofismas. As nossas crianças, sobretudo precisam sentir esse sentimento de amor à terra natal com a naturalidade própria das autenticas cidadãs e cidadãos do futuro. Essa raiz milagrosa precisa resultar fecundada todos os dias inicialmente em nossos lares. Nas escolas, em especial.
Essa é a grande maravilha produzida por esses gestos simples. Essas ações quando materializados todos os anos chamam atenção da grande imprensa nacional. Evita os transtornos, a indiferença e o constrangimento. Não queremos ser confundidos com o estado co-irmão. Queremos ser o Mato Grosso do Sul. Ainda não tivemos essa oportunidade. O nosso Estado teima ainda em marchar na direção oposta.
O nosso dia 11 de Outubro só não foi mais triste porque o nosso comércio ignorou o feriado. Deu uma risada rotunda para a crise. Abriu suas portas com entusiasmo singular. Esboçou seu apreço e respeito aos seus clientes. A criatividade dos comerciantes acostumados com essa lida milenar conseguiu mitigar a dor fotografada pelo desprezo à data consagrada à criação do nosso Estado. Essa é a grande realidade dos fatos. Não existe outra forma de descrevê-la.