O senso comum brasileiro nos diz que a saúde pública não presta. No entanto, vale a pena esperar os xingamentos contra as filas, o curto tempo de duração da consulta e outras reclamações justas das pessoas em relação ao SUS e perguntar: mas seu neto foi vacinado contra a poliomielite? E a senhora, se vacinou contra a gripe? “Sim, no postinho do bairro”, será a reposta mais ouvida. Se a conversa avançar, descobriremos que o marido recebe medicação para tratamento da hipertensão de graça no mesmo postinho, que o neto dela nasceu numa maternidade pública.
Afinal, o SUS funciona ou não? Pensando que nunca há uma resposta simples para problemas complexos, o médico Drauzio Varella resolveu criar uma série de vídeos em seu canal do YouTube para investigar a relação dos brasileiros com seu sistema de saúde.
“O Sistema” é uma criação do próprio Drauzio, com o colega médico Maurício Ceschin. Tenho o prazer de com os dois fazer a criação e a direção dos episódios. A Uzumaki e a Prodigo são as produtoras. “O Sistema” já está no ar com novos episódios, publicados todas as quartas-feiras até o fim deste ano.
Nenhum outro país com mais de 200 milhões de habitantes ousou escrever em sua constituição que a saúde é um dever do Estado. O Brasil não apenas assumiu uma conta alta para pagar, mas, também, uma conta que só aumenta. Em contraste com outras grandes áreas da indústria, aumento da demanda e incorporação de tecnologia não reduzem custos na saúde.
Veja o caso da obesidade, por exemplo, e de um dos avanços na área: a cirurgia bariátrica. O SUS oferece a cirurgia com todo o tratamento que ela requer, anterior e posterior à realização. Não é algo barato nem simples de organizar; envolve a cirurgia e um time com psicólogos e nutricionistas, entre outros profissionais. O tema é explorado no episódio “O país do sobrepeso”, parte dessa nova temporada.
Num cenário em que 52% da população adulta está com sobrepeso ou obesidade, oferecer esse serviço complexo e caro acaba apenas amenizando o problema. Sem disponibilizar um tratamento clínico para a obesidade, voltado para quem ainda está na fase do sobrepeso, o SUS não consegue evitar que a fila da cirurgia cresça. A percepção que os cidadãos têm do sistema não melhora apesar do serviço prestado. Não é possível dizer que o SUS não atenda quem tem problemas com o peso, mas ele faz isso da melhor forma com os recursos que dispõe? A resposta não está na série, mas esperamos que ela contribua para a sua construção.