Estamos presenciando muitas mudanças no mundo, tanto no âmbito privado quanto no público. É bom lembrar que tais transformações devem ser atribuídas à evolução dos modelos de gerenciamento e de gestão, que certamente são fatores essenciais para o sucesso ou fracasso de qualquer instituição, órgão, setor ou departamento.
Indo mais a fundo no setor público, que é o objeto desta reflexão, cabe rever cenas da campanha eleitoral recém-encerrada. Vários candidatos, durante a propaganda eleitoral, recusavam-se a dizer que eram “políticos”, para assumir uma nova roupagem de ser “gestores”. Repetiram, por sucessivas vezes, que não eram políticos, mas, sim, gestores ou administradores e que iriam “pôr a casa em ordem”. Alegavam também que não dá mais para suportar esse modelo da “velha política”, da má gestão e do desperdício do dinheiro público. Realmente, ficou bem proeminente a diferença no discurso dos candidatos dessa campanha eleitoral em relação a outras passadas.
Isso vem provar que o sucesso e a plenitude de uma gestão pública é essencial. Parcela considerável da população quer ter gestores capacitados que detectem os problemas como realmente são e, claro, onde eles estão localizados. A capacidade administrativa, as habilidades, as atitudes, a ética e a transparência nas ações devem prevalecer.
Nossa reflexão vem, no entanto, essencialmente para frisar a necessidade real de termos, cada vez mais, gestores públicos capacitados, uma vez que, nas campanhas eleitorais, as palavras podem até comover, porém, se nada for feito, se tornam fumaça. Exemplos positivos arrastam multidões e servem de modelo.
Outro ponto a ser aqui tratado é a necessidade de formar equipes (os assessores) com capacidade técnica e não somente apelo político. Na prática, no entanto, sabe-se das dificuldades de se fazer isso, justamente por haver uma cultura que privilegia o caráter político e não a capacidade técnica. Alocar a pessoa certa no local certo já traz vantagens.
É de ser lembrada também a transmissão, para a gestão pública, de ferramentas utilizadas na gestão privada, como o planejamento estratégico, as rotinas de controle de almoxarifado, o de controle de frota, entre outros exemplos. Isso significa beber da fonte quando for possível. A modernização gerencial se faz cada vez mais necessária, o que não equivale a realizar uma gestão pensando em lucro, assim como funciona na gestão privada, mas otimizar os recursos e melhorar a qualidade dos gastos públicos.
Outro ponto nevrálgico no setor público (não generalizando) é a falta de capacitação continuada dos gestores, da equipe e dos próprios servidores públicos. É sabido que o mundo não para; pelo contrário, anda gradativamente mais rápido e mais conectado e, portanto, está em constante transformação, de que resulta a necessidade de entendê-lo e contribuir para que se adapte aos novos cenários e situações.
Nessa linha, muitas vezes, falta uma compreensão do gestor público de que qualificação continuada é um investimento e não um gasto. De uma forma geral, motivar e criar condições para que o servidor público se qualifique de forma continuada traz ganhos para a gestão, pois o servidor se sentirá motivado, valorizado e capacitado para atuar melhor em sua função. Agora, quando o servidor fica “esquecido” em uma sala, departamento ou setor, como se fosse um móvel velho, inevitavelmente passará a contar os dias para a sua aposentadoria ou priorizará um novo emprego ou concurso público, pois não existe motivação.
Certamente, no dia a dia, ele perceberá que o mundo evoluiu e ele ficou para trás. Muitas vezes, a frustração por se sentir desvalorizado é tamanha, que gera um processo depressivo. O fato é que o ser humano nasceu para aprender e não para ser acomodado ou encostado. Não há como fugir dessa realidade.