Estou me referindo a um lugar que por muito tempo serviu de ponto de distribuição da economia da Região Centro-Oeste do Brasil. Trata-se de um distrito do município de Corumbá, onde estava estabelecido o terminal ferroviário da NOB, a conhecida Noroeste do Brasil, até a metade da década de 1950. Tratava-se de um vilarejo dinâmico, onde cargas e passageiros teriam que transitar por meio de trens e navios, que tinham por destino final a cidade de Corumbá.
O vilarejo era de importância tal que possuía uma guarnição do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso. Havia também uma agência da Receita Federal, denominada de Alfândega, além dos Correios e posto de Saúde. Contava ainda com uma pista para aviões de pequeno porte, muito utilizados por compradores e vendedores de gado de corte. Havia, ainda, um pequeno hotel e uns poucos bares e uma casa de diversão.
A mão de obra predominante era de estivadores, que tinham sua força física para retirar as mercadorias dos trens cargueiros para os porões dos navios, operação sem interrupção durante as vinte e quatro horas por dia, em turno de seis em seis horas. Para o transporte de passageiros entre Porto Esperança e Corumbá, navios de médio porte, com capacidade de embarque para pouco mais de cem pessoas acomodadas. Em sua última campanha à Presidência da República, Getúlio Vargas utilizou a ferrovia para chegar a Porto Esperança e seguir a Corumbá.
Infelizmente, a esperança ficou apenas no nome da estação. Eis que, tão logo a ponte que atravessa o Rio Paraguai foi liberada, o até então importante porto de embarque e desembarque foi abandonado e tanto mercadorias como passageiros seguiam direto a Corumbá.
O vilarejo transformou-se em um lugar que bem pode ser chamado de fantasma, sem nenhuma chance de ser recuperado, pela mudança da rota de transporte de toda a economia circulante. A esperança de uns poucos nativos é de que a pesquisa de Petróleo volte a ocorrer naquele local.