Para o trabalhador que ganha um salário mínimo, a tarifa de ônibus pesa no orçamento: R$ 0,25 fazem falta a quem escolhe qual conta pagar no fim do mês.
O campo-grandense que usa o transporte público começou a semana pagando mais caro na tarifa. O aumento já era esperado, uma vez que o Consórcio Guaicurus havia descartado, ainda no primeiro semestre, a possibilidade de congelamento dos preços, mesmo com as medidas adotadas pelos governos federal e estadual, para a redução do diesel, em decorrência da greve dos caminhoneiros – algo até hoje pouco compreendido, uma vez que o combustível é um dos itens que mais pesam na composição dos preços. Será que a regra só vale quando se trata de aumento? De qualquer forma, o que não se esperava era um acréscimo tão expressivo. Ao contrário do prometido, o reajuste passou de 6,6%, porcentual acima da inflação. Com isso, o preço da tarifa foi de R$ 3,70 para R$ 3,95.
Parece pouco para uma parcela da população, mas para uma parte considerável dos cidadãos – a que ganha um salário mínimo ou pouco mais –, a tarifa de ônibus tem peso enorme: R$ 0,25 fazem falta a quem é obrigado a escolher qual conta vai pagar no fim do mês. Só os R$ 0,25 se transformarão em R$ 200 no ano. Se somado o valor cheio da nova tarifa, o campo-grandense gasta, no mínimo, R$ 3,7 mil ao ano com transporte público (contando duas passagens por dia), preço alto para quem tem rendimento anual de R$ 11,4 mil ao ano.
E não basta pagar caro. Tem de pagar caro por um serviço de péssima qualidade e alvo constante de reclamações. Manter a frota em bom estado de conservação não é bondade da concessionária, que ganhou da Prefeitura de Campo Grande uma isenção fiscal de dar inveja a muito médio e pequeno empresário que luta para pagar seus tributos. A preservação seria, no mínimo, uma obrigação. O Executivo, ao publicar a renúncia de R$ 11 milhões ao ano, alegou que estava abrindo mão do Imposto Sobre Serviços (ISS) sem nenhuma necessidade de contrapartida da empresa, para que o preço da tarifa ficasse dentro da inflação. Ficou dois pontos porcentuais acima. Enquanto isso, a população ainda precisa encarar ônibus quebrado, atrasos e uma série de outros problemas gerados pela falta de manutenção da atual frota em circulação.
O Poder Executivo precisa parar de encarar concessões como favores. Ao aceitar uma concessão, a empresa – seja ela qual for – assume uma série de responsabilidades, que são ignoradas na maioria dos casos. O contrato só é citado quando há obrigações por parte do poder público ou direitos por parte das empresas. Concessionárias não são organizações não governamentais, são empresas que, assim sendo, visam lucro. O problema é que não há na outra ponta uma força contrária para, ao menos, tentar equilibrar essa balança.