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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta quinta-feira: "Logística de dar inveja"

Confira o editorial desta quinta-feira: "Logística de dar inveja"

Bruna Aquino

13/12/2018 - 03h00
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Se depender dos últimos anúncios feitos pelo governo federal, Mato Grosso do Sul passará a de deficitário à modelo para outros estados em escoamento da produção

Considerada um dos principais gargalos para o desenvolvimento econômico, a logística de Mato Grosso do Sul tem tudo para se tornar motivo de inveja para outros estados. Se depender de promessas e últimos anúncios feitos pelo governo federal, por exemplo, o Estado passará de deficitário à modelo de escoamento da produção. Todos os modais foram contemplados por projetos. Sejam portos, estradas e até mesmo a estrutura necessária para o transporte aéreo.  Nesta semana o ministro da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer (MDB), que já está praticamente de malas prontas para deixar o cargo, esteve em Campo Grande para anunciar investimento de cerca de R$ 40 milhões para obras de reforma e ampliação do Aeroporto Internacional de Campo Grande. As obras têm previsão para serem concluídas em 2020. Contudo, uma das primeiras medidas de Jair Bolsonaro, presidente eleito que assume em janeiro, será entregar não apenas o aeroporto da Capital quanto o outras cidades do interior, como Corumbá, Ponta Porã à iniciativa privada. Fica a dúvida se a reforma será para valorizar o lote de MS para a privatização ou se restou comunicação entre os dois governos.

Enquanto isso, a expectativa é que até o dia 21 de dezembro se concretize a destinação de R$ 300 milhões da usina de Itaipu para a construção da ponte sobre o rio Paraguai, ligando os municípios de Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai. Obra que faz parte do projeto de rota bioceânica e que visa melhor escoamento de grãos do Brasil.

A utilização de recursos de Itaiupu para o projeto foi uma medida alternativa após o travamento de recursos da União por questões burocráticas.  Com a nova solução, o governo federal propôs que o dinheiro de emendas parlamentares, cerca de R$ 54 milhões, seja destinado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) que, por questões burocráticas, serão remanejados para outro projeto, a pavimentação da  rodovia BR-419, entre Aquidauana e Rio Verde. Com isso, a promessa de mais uma obra.

Agora fica a expectativa de quando os três projetos acima citados serão, de fato, iniciados e concluídos. Quando se fala em obras públicas, infelizmente, há uma grande diferença entre cronograma previsto no projeto e execução. O macroanel de Campo Grande pode ser considerado um dos muitos exemplos dessa disparidade de prazos. A obra que se arrasta há mais de 20 anos foi inserida, recentemente, no projeto “Chave de Ouro” do governo Temer, que está se despedindo. Porém, em visita o próprio ministro Marun já confirmou que haverá atrasos no cronograma. Falta 20% do projeto para a conclusão da obra.

Em pior situação, no entanto, está a BR-262, trecho que liga Três Lagoas a Água Clara. O projeto de recuperação e melhora na via, uma das principais rotas que ligam a região Leste ao Centro do Estado. A obra, também aguardada há décadas, havia sido retormada em agosto deste ano. Porém, durou pouco mais de um mês. Ela também deve ser retomada no primeiro semestre de 2019, após o “período das chuvas”.

Torcemos para que todos esses projetos sejam concretizados e que Mato Grosso do Sul atinja a logística necessária.  É importante que a população grave na memória esses prazos para que, não apenas possa cobrar de seus representantes no Executivo e Legislativo, mas também para não permitir que projetos antigos sejam lançados com nova roupagem.

 

 

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