O imediatismo sempre foi a marca registrada de todos os governos do País, sempre à mercê das demandas mais prementes da população em determinado momento. Nas últimas eleições, o que podemos sentir, foi principalmente o desejo de mudanças, sem, contudo, definir quais seriam seus principais anseios, do que se aproveitaram os candidatos com maiores percepções da movimentação social, para formular discursos com forte apelo no combate aos desmandos, à corrupção e à condução do País no caminho do desenvolvimento.
Um tema abandonado pelos candidatos a todos os cargos em disputa nesse pleito foi o futuro do País – não quero abordar apenas o futuro que se iniciará a partir do dia 1º de janeiro, com duração de quatro anos. É de nossa responsabilidade refletir sobre o futuro do Brasil, para que as gerações vindouras possam encontrar um País mais justo, mais igual, mais harmônico e de melhor qualidade de vida aos seus habitantes, sobretudo, aos mais idosos, que, hoje, apesar das leis de proteção, encontram-se em completo abandono.
Todos sabemos quão difícil é administrar um país, com um nível crescente de população, hoje na casa dos duzentos e dez milhões de almas, e um território com a dimensão de um continente. As ideologias correntes quase não se divergem, pois, o capitalismo tornou-se uma prática globalizada, e os antigos dirigentes dos partidos denominados comunistas são hoje, megaempresários que sabem muito bem delimitar não só os direitos, mas – e principalmente – os poderes que eles criaram com mão de ferro, para protegê-los dos proletariados.
Para falar do futuro de uma nação como o Brasil, antes de mais nada, seriam necessários muita meditação e profunda reflexão sobre a vida, que passa tão rápido, que num sopro pode acabar. Temos de pensar no País como nação do futuro, não apenas numa administração presente. Todos temos filhos, netos e até bisnetos, pois o tempo de vida dos brasileiros vem aumentando ano a ano, portanto, os cidadãos e cidadãs tornam-se cada vez mais participativos.
A nossa carga tributária é muito alta em relação ao retorno dos impostos pagos, é necessário pensar num equilíbrio de renda entre a população e, talvez, esteja aí o calcanhar de Aquiles da receita nacional. A máquina pública consume sozinha uma enormidade de recursos para pagamento de toda a sorte de privilégios, em que os poderes da República se aproveitam do que reza a Constituição, que registra: os poderes são independentes, porém, harmônicos entre si. Tão harmônicos que se tornaram corporativos, o que um faz, o outro não vê.
A ideologia poderia contribuir com os detentores dos poderes em todos os níveis de governo, e a trilogia Igualdade, Liberdade e Fraternidade, se estudada, poderia em muito melhorar as ações e atitudes no trato com as coisas públicas, no qual o futuro do País se confunde com o futuro de gerações de suas famílias para perpetuarem no poder, promovendo, cada vez mais, um abismo entre governo e povo. Assim, o nosso futuro continuará no obscurantismo nefasto e perigoso.