Nos anos 70 e 80 desastres ambientais confirmaram a apreensão dos cientistas quanto ao futuro do planeta com o comprometimento perigoso da camada de ozônio, com influencia dos acidentes nucleares de Miles Island nos EUA e Chernobyl na antiga URSS, além das marés negras no Alaska e o vazamento químico de Bhopal na Índia. Acrescente-se a isso a divulgação, já em 1972, do documento “Limites para o Crescimento” no final da Conferencia Mundial sobre o “Meio ambiente humano”, na cidade sueca de Estocolmo.
Quase duas décadas depois, no dia 1º de dezembro de 1997, um grupo de médicos enviou um relatório prognostico ao jornal The New York Times sobre os efeitos plausíveis da instabilidade climática, ressaltando aqueles mais imediatos e passiveis de ações concretas para amenizar os problemas no âmbito da saúde publica, em todos os continentes, com destaque para: Doenças e mortes crescentes derivados das ondas de calor e poluição atmosférica, com riscos principalmente para idosos, crianças, pobres e portadores de moléstias cardíacas e pulmonares. Explosão e difusão de algumas doenças infecciosas transmitidas por mosquitos, entre as quais a encefalite virótica, a dengue, a febre amarela e a malária.
Propagação de algumas doenças transmitidas pela agua, como diarreias infantis e cólera morbus. O que é talvez a maior preocupação revelada neste relatório - os efeitos prejudiciais aos organismos do ecossistema na terra e nos oceanos, podendo afetar a produção alimentar e alterar o funcionamento do ecossistema que torna possível a vida em nosso planeta.
Em 2009, Leonardo Boff numa conferencia no programa Gestão para a Sustentabilidade realizada pelo Instituto Uniethos entre os dias 18 e 20 de março em São Paulo, dizia que “por enquanto, as coisas antigas ainda não morreram e as novas ainda não tiveram força para nascer. Com a crise climática, estamos em um momento raro, de reinvenção da convivência humana, quando se abrem horizontes de esperança, desde que iniciemos praticas novas. Já estamos no aquecimento global e a Terra esta buscando adaptar-se a ele, trabalhando para um equilíbrio. Somos a parte inteligente da Terra. Nos próximos anos teremos de 150 a 200 milhões de migrantes climáticos”.
Meio século depois que impactos tais informações trouxeram? Cabe a cada um responder de acordo com seu nível de consciência, informação e interesse.
O evento do aquecimento global nos fez perceber que a crise do mundo pós-moderno não chegou à consciência de muitos ainda, incluindo lideres políticos ocidentais e orientais. Uma autoproteção ideológica de modelos econômicos transparece um contra censo. Muito provavelmente os movimentos naturalistas e ecológicos, odiado por muitos, são formas de expressão da consciência coletiva, que observando cada vez mais um artificializacão da vida não possa controlar as consequências futuras desse processo que é próprio da sociedade de consumo. O maior problema é o tempo para reconstruir o que foi destruído pela artificialização do mundo natural, criando espaço para a proliferação de microrganismos cada vez mais resistentes à arma artificializadora dos homens.
Nesse momento fico me perguntando se os indígenas, por serem mais próximos da vida natural, sofrerão menos com as consequências das mudanças climáticas como também os nordestinos do sertão. Seus corpos teriam genes mais resistentes do que corpos cosmopolitas? Claro que sim! A vida cosmopolita anda artificial em quase tudo. Precisamos de um Habeas Corpus, do latim – “que tenhas teu o corpo”, só que desta vez quem poderá dar é a natureza.