“Os desafios que enfrentamos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão encarados com facilidades ou num curto período de tempo. Mas saiba disso, América – eles serão encarados”. Isto é um trecho do discurso do primeiro presidente negro, Barack Obama, a tomar posse no cargo político mais importante do mundo, há quase 10 anos, na Presidência dos Estados Unidos da América. A retórica de Obama se encaixa perfeitamente para o momento que estamos vivendo.
Um novo presidente eleito democraticamente assume os destinos da nação brasileira, e os desafios são imensos e, de tão reais e complexos, parecem quase impossíveis de solucioná-los. Daí a importância do brado de Barack à sua América: “mas... eles serão encarados”. Nós também somos a América. E o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe, mais do que nunca, devem encarar com firmeza e determinação todos os problemas desse gigantesco país chamado Brasil. Para isso, foram escolhidos pela grande maioria do povo brasileiro. Todo ser humano, durante a sua existência, sempre haverá de encontrar pela frente todo tipo de desafio e obstáculos na busca de sua realização pessoal ou profissional. Cada um de nós particularmente passa por isso. Bolsonaro também. Ele também tem os seus desafios particulares, contudo, a partir do momento em que se candidatou ao cargo, passou por todas as etapas regulamentares e chegou ao objetivo, seus propósitos e desafios não são mais só seus.
A particularidade ficou para trás e sua vida agora passa a ser serviço de milhões de vidas. Se não for assim, de que adianta todo o processo eleitoral e seus desgastes, tanto financeiro quanto social, toda dedicação de um povo em prestar sua obrigação e desejo na escolha do seu candidato preferido? O exercício do poder proporciona muitas vantagens e benesses. O presidente de um país tem o tratamento equivalente ao imperador, a um rei e todas as suas mordomias, todas as regalias, que o povo não tem e que são exatamente pagas por ele. Assim, nada mais justo, correto e necessário que o presidente governe além de suas particularidades. Agora seus desafios são plurais. Particularidades se tornam generalidades, e o País e seu povo devem ser a única preocupação do novo governo. Utopia minha, diriam alguns. Mas eu pergunto: o que realmente significa utopia?
Para mim, utopia é tudo aquilo que eu quero que se torne real. Então, se desejar e esperar que um governo seja o mais honesto possível, que governe com total dedicação e zelo por tudo o que sua população precisa seja utopia, então eu sou, nesse momento, o ser mais utópico do Brasil. Quem leu a obra de Thomas More, sabe que mesmo na definição de utopia não existia a perfeição total e que regras e mais regras, além de obrigações e normas rígidas, eram exigíveis para a plena paz e progresso da ilha imaginária. Se o povo brasileiro realmente deseja o melhor para si e para seu país, em 2019, não poderá deixar os desafios que se apresentam somente para o presidente e seus auxiliares resolverem. A ida às urnas e o voto foram o começo. A partir de agora, a determinação, o apoio, a paciência, a compreensão, o crédito e o trabalho também devem vir da população. Padrões mentais elementares são indispensáveis de ambos os lados, governo e povo. Não estou aqui pregando nenhuma alienação de quem quer que seja. A liberdade é um bem inegociável e, como dizia Abraham Lincoln, “uma pessoa será tão feliz quanto sua mente decidir”.
Devemos ter em conta que todos somos responsáveis pelo crescimento e progresso desse País imenso. É evidente que muitos brasileiros estarão torcendo pelo fracasso do novo governo. Uma grande parcela de pessoas não votou em Bolsonaro. Entre tantos, são muitos aqueles que jamais mudarão de opinião. Assim como o seu líder maior, que se encontra condenado e preso, nunca capitularão e, nem se o Brasil se tornar um grande país, repleto de empregos, com uma economia forte e pujante, haverão de se conformar. Paciência. A água viva vive mais de 600 anos, mas um dia morre.
Somos também a América. Encaremos os desafios. Juntos, governo e povo, trabalhando e acreditando, poderemos nos aproximar muito da realidade que queremos. Com ou sem utopia! Feliz Ano-Novo. Feliz governo novo!