Presidente eleito terá o desafio de fazer a economia voltar a crescer enquanto reduz o tamanho da máquina pública
Boa parte dos brasileiros deu uma pausa nas comemorações do Ano-Novo para acompanhar as solenidades de posse de Jair Bolsonaro e do governador Reinaldo Azambuja. A expectativa não era para menos. Em uma das eleições mais polarizadas da história, que dividiu o País em dois, o parlamentar foi eleito com a promessa de reerguer a nação. A posse de um presidente é um marco de novo ciclo e de recomeço, nada mais necessário depois de anos de sofrimento.
Em seu primeiro discurso como presidente da República, Jair Bolsonaro escolheu a palavra “reconstrução” para sintetizar o que precisa ser feito no País. Em nove minutos e cinquenta e três segundos, o chefe do Executivo deu mostras do que será necessário para retomar o crescimento econômico. Ainda foi citada a importância de se retomar a confiança no País para que se abra o mercado para o comércio internacional e também a necessidade de um pacto nacional entre sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na busca de novos caminhos.
Embora já se mostre mais animado, o mercado aguarda as primeiras medidas econômicas do governo Bolsonaro para deslanchar a retomada da economia. Essa postura já era esperada depois de quatro anos de recessão econômica, em que centenas de empresas, se não fecharam as portas, chegaram próximo disso, o que resultou em milhares de desempregados espalhados por todo o País. Caberá ao governo fazer com que essa confiança entre empresários – já nos primeiros dias, como vem sendo prometido – retome pautas importantes. Entre elas, a reforma da previdência.
Outro ponto importante para o mercado nacional – e com grande interesse para Mato Grosso do Sul – são as medidas esperadas para o agronegócio. Carro-chefe da economia sul-mato-grossense, a pasta de agricultura e pecuária – que tem como ministra uma representante de Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina – deverá passar por processo de desburocratização e redução da regulamentação, como prometeu o presidente. Hoje, o excesso de burocracia é apontado pelo setor como um dos seus principais entraves.
Essas medidas, espera-se o brasileiro – tão castigado por aquela que foi a maior recessão da história do País–, deverão resultar principalmente na recuperação do emprego e da renda do trabalhador – e são muitos neste aguardo. No Brasil, conforme os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11,6% da população estava desempregada até novembro deste ano.
Enquanto tentará fazer crescer a economia, o presidente eleito voltou a falar em reduzir a máquina pública. Bolsonaro também falou de outras medidas que deverão impactar diretamente a economia. Sem se esquecer dos partidos de esquerda, ao citar a necessidade de “libertar o País da submissão ideológica”, Bolsonaro destacou a importância de se combater a corrupção e a irresponsabilidade econômica, que fizeram com que os gastos da máquina pública superassem, e muito, a receita. A meta da equipe é audaciosa: zerar o deficit fiscal de R$ 140 bilhões até o fim de 2019.
Já no campo social, os desafios apenas mudam, mas não reduzem. Depois de uma das eleições mais polarizadas do País, Bolsonaro terá de adotar discurso de união com todos e de respeito às diversidades. As eleições já passaram. Agora é a hora de respeitar as diferenças e trabalhar, todos juntos, para o crescimento do País.