Na teoria, a escala de profissionais da saúde aparece completa. Na prática, pacientes são obrigados a esperar até nove horas por atendimento médico.
Um dos maiores problemas no Brasil, nos dias de hoje, se concentra na área de saúde. Só quem já dependeu do Sistema Único de Saúde (SUS) sabe a luta que é conseguir atendimento. Um exame médico pode levar meses e uma cirurgia, até anos, regra que se estende aos postos de saúde. Reportagem do Correio do Estado mostrou que pacientes estão sendo obrigados a esperar até nove horas por atendimento, em razão da falta de médicos nas unidades de saúde. São pessoas com dor, idosos, que são submetidos à total humilhação pela ausência de profissionais que estejam, de fato, atendendo.
No papel, ou melhor, na escala publicada pela Secretaria Municipal de Saúde, essas unidades de saúde contam com equipe completa de médicos atendendo. Na prática, a escassez chega a ponto de se encontrar um único profissional atendendo à população. Essa situação só demonstra a falta de zelo tanto com a população quanto com o dinheiro público e passou da hora de o Poder Executivo adotar uma postura rígida contra essa condição na Saúde.
Não se trata de pressionar a classe profissional como um todo, mas garantir que os servidores honrem os compromissos pelos quais recebem – se o recurso é muito ou pouco, essa é uma outra discussão. O que não se pode admitir é um único médico atendendo enquanto três estavam na escala. Situação injusta tanto para a população, afinal, é quem paga por todos esses serviços, quanto para os profissionais dispostos a trabalhar.
Esse problema já foi alvo de várias investigações do Ministério Público. Desde o ano passado, as unidades de saúde contam com ponto eletrônico, o que, aliás, segue uma determinação da Justiça. Porém, as tentativas de burlar o sistema de controle de entrada e saída de profissionais é grande. O número de equipamentos quebrados desde que o sistema de controle de horário foi instalado mostrou-se tão alto que também se tornou alvo de investigação, assim como a insistência do “Ponto Britânico”, em que o profissional bate o ponto em uma pontualidade britânica, todos os dias.
Além de dotar as unidades de saúde de infraestrutura – necessárias para a atender à população – com qualidade, cabe ao gestor combater o mau profissional. Só assim aquele que cumpre com suas obrigações se sentirá menos sobrecarregado e mais valorizado. Não se pode admitir que, por exemplo, uma unidade dispense pacientes por falta de profissionais, como mostra reportagem de hoje do Correio do Estado.
Combater esse tipo de comportamento é garantir que os gargalos da saúde aumentem. O paciente atendido pelo profissional contratado para isso corresponde a um a menos em outras unidades de saúde ou até mesmo nos hospitais de Campo Grande.